1 – Indo pro Japão

A viagem desde o Rio foi longa, cerca de 28 horas de tempo de aeroporto e voos na classe econômica, mas sem excesso de cansaço.

Chega-se em Narita ainda com ânimo para pegar o trem até Tokyo e encarar mais uma hora e meia de trajeto.

A aventura começa já na hora de sacar dinheiro nas máquinas atm, é sempre bom ter alguma grana em moeda local. Depois, comprar os bilhetes do trem. À primeira vista, parece que tudo está em Japonês mas aos poucos são achadas as instruções em Inglês e vai diminuindo a sensação de desorientação total. 😊

Com alguns pedidos de informação, a plataforma é achada. Os japoneses são super solícitos. Mesmo com a barreira da língua – e com as características do sotaque quando falam Inglês, já que não conseguem pronunciar algumas consoantes, o “l”, por exemplo – eles se viram com mímica e não descansam enquanto não ficam seguros que o visitante teve a informação pedida. Em caso extremo de não haver entendimento, eles saem da sua rota e vão deixar a pessoa num ponto em que seja possível achar o destino. Gostei muito deste jeito nordestino de ser dos japoneses. 😊

Achamos a plataforma e tomamos um trem confortável até a estação de Shibuya, bairro onde vamos ficar por 4 noites. Na volta, ficaremos mais uns dias em Tokyo, em Shinjuku. A escolha de onde ficar usou o critério de bairros não muito caros, com afluência de gente jovem e com referendo de amigos que lá ficaram.

Os bilhetes foram comprados nas máquinas, com lugares marcados. Também foi preciso informação para se certificar da direção certa.

Ao entrar no vagão, a surpresa com a rota escrita assim, veio rápido o alívio da versão em inglês. 😊

A saída da estação já nos deixou no Shibuya Cross, considerado o cruzamento mais movimentado do mundo. Sem surpresa, porque o que se conta como certo lá em Tokyo, é ter uma multidão em tudo que é canto. Como decidimos só comprar um SIM card ao chegar em Tokyo, assim sem internet, fomos seguindo as dicas pré anotadas para chegar ao hotel que está a uns 600m da estação. Apesar das calçadas super movimentadas não foi complicado arrastar as malas que foram cuidadosamente preparadas para serem leves e de tamanho médio. Mais adiante, conto como preparei minha mala média, mirando um limite de peso de 10 quilos, para uma viagem de 01 mês, com a previsão de temperaturas amenas da primavera.

Tendo como referência a conhecida Shibuya 109, uma loja departamentos ( 10 andares dedicados à moda), não foi difícil achar o hotel.

Ficamos no APA Shibuya-Dougenzakaue. Bem localizado, limpo e bem conservado. O quarto era mínimo. Apesar de sabermos que espaço lá é luxo, ainda assim foi uma surpresa. O banheiro mais mínimo ainda ( acho que tem 1m x 1.5m 🙄) e merece um post à parte. A privada é a protagonista e faz jus à fama, com todas as firulas que já viraram objeto de desejo do mundo todo. O usuário se sente cuidado por uma mão invisível que o trata como um bebê, finalizando exemplarmente o número 1 e o número 2. Entrou para minha lista dos direitos inalienáveis dos seres humanos.

A cama ficava com a lateral e o pé quase encostados na parede, um espaço ( se é que se pode chamar um aperto daqueles de espaço 😄) super exíguo para acomodar as malas. O corredor que leva ao banheiro, era tão estreito que não dava para ser usado por nós dois, ao mesmo tempo, sem encontrões. Mas basta limpeza e uma boa localização para me deixar uma turista feliz.:-) O que pode parecer transtorno vira diversão e faz parte da graça de viajar.

Eu pensei em me hospedar, só para ver como era, num daqueles hotéis cápsulas que há por lá, projetados só para caber uma cama, a mala ficando numa prateleira acima, do tamanho de uma cabine de trem. Ainda bem que não fiz isto. Por uma noite só, para quem não tem bagagem já é suficientemente opressivo.

Quarto pequeno e sem armário tem seu valor: não tendo onde guardar nada, não se pode  tirar nada das malas. A acomodação é rápida 😊e fica tudo pronto para o próximo checkout.

Saímos em seguida para comer, procurando no Foursquare uma indicação próxima do hotel. Achamos o Usagi, um lugar simples e bem cotado para comer um ramen. Achei que, para melhorar o jetlag, um caldo quentinho com ovos cozidos, ia cair bem. Como será que eles fazem para os ovos ficarem tão gostosos 😋 ? A gema parece uma mousse com gosto de manteiga. 🤔. Foi excelente pedida. Mas convenhamos que sempre acho estranho tomar sopa de macarrão usando uma conchinha e pauzinhos de madeira 😊. Aqui fica permitido fazer barulho, chupando o macarrão. Outros modos 😊

Vimos que em volta do hotel há varias opções de restaurantes. Shibuya parece ser como dizem: fervilhando de gente jovem, animada. Boa escolha para alegrar “prateados” sessentões, como nós.

Ah, este ramen tinha pimenta na medida certa e as folhinhas lembram o jambu paraense pelo leve formigamento que provoca nos lábios. Eu que adoro sopas, caldos, adorei o jantar.

Fui dormir às 20:00h mas o jetlag me despertou logo depois da meia noite.

Já que madruguei, aproveitei para ir ver o famoso leilão de atum no maior mercado de peixe do mundo, o Tsukiji. Qual será a graça deste leilão que faz turistas acordarem ainda escuro para conhecê-lo? Este leilão está sempre na lista das coisas imperdíveis, em Tokyo. Esta programação requer estar no mercado, às 4 da madrugada. Tive que acordar meu “grupo” 😊 que dormia desdenhando do fuso horário. Pegamos um táxi, na porta do hotel, para não haver erro. Um carro limpo, com bancos vestidos de um tecido branco imitando renda, o motorista de roupa impecável, luvas brancas e sem abrir mão do ritual de tirá-las na hora de dar o troco que foi entregue com a cédula sendo segurada pelas duas mãos, como manda a boa educação. Passei a viagem achando este hábito muito engraçado. Tudo bem diferente para nós brasileiros, desde o figurino até a reverência com a qual um vendedor nos devolve o cartão de crédito. De minha parte, sempre esquecia de entregar o cartão segurando com as duas mãos. 😊

O programa de ida ao leilão deu errado de início mas acabou dando certo, como contado no post 2.

Compartilhando dica(s):

rome2rio.com é um site ótimo para ajudar a escolher o meio de transporte entre cidades. Usamos para saber os melhores trajetos.

Lembrar que a carteira de habilitação brasileira ( mesmo as internacionais emitidas mediante acordos ) não vale no Japão. Nossa ideia inicial era fazer o roteiro todo de carro. Foi feito de trem e ônibus. Logo percebemos que esta é mesmo a melhor forma. Os trens são frequentes e pontuais. Os ônibus idem. Não é preciso comprar bilhetes com antecedência. No dia de mudar de cidade não tem aquele perrengue de ir para um aeroporto e não há necessidade de tanto planejamento. Sem carro também é ótimo, hotéis com estacionamento são mais caros. Os hotéis perto das estações são ótima pedida. As estações de Tokyo e Kioto são enormes e tem tudo o que um turista precisa. Esta foi uma viagem onde podíamos olhar a paisagem tranquilamente e tínhamos a bagagem sempre à mão. Sempre que entrava num trem, me dava uma tristeza danada de não ter rolado aquele trem bala prometido para a Copa de 2018.

Vamos ao post 2.

Published by Marta Pessoa

Estudiosa da longevidade, fundadora da Longevos. As viagens são meu laboratório.

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