Para nós, Takayama foi a cidade perfeita para estar no meio da viagem. Localizada nos Alpes Japoneses, 3 cordilheiras de montanhas a mais de 3 mil metros de altura, situadas no centro do país, de quem nunca tinha ouvido falar, até começar a montar o roteiro de viagem. Pequena, com apenas 90 mil habitantes, é calmíssima, tudo desacelerando ás 6 da tarde. Lá vi, pela primeira vez, altos falantes nas ruas, tocando música clássica, para desacelerar o ritmo das pessoas. Tem um distrito histórico Sanmachi Suji, de clima feudal, com as casas de madeira de comerciantes do tempo do Período Edo. Abriga muitas construções do período, quando a cidade tinha um comércio muito forte, sendo o saquê o destaque. E para não ser diferente das demais, muitos pequenos museus e santuários.
É famosa pelo festival bianual que celebra, há 4 séculos, a chegada da primavera com desfiles de carros alegóricos imensos. Eles ficam guardados em casas de pé direito altíssimo. Perdemos o festival mas o Museu Matsuri-no-Mori nos deu uma ótima impressão do que é. Lembra muito nosso Carnaval. Deve ser esta a única época do ano que Takayama sai da calmaria.
Mercado matinal de Migayana
Todas as manhãs um mercado a céu aberto é realizado ao longo do agradável Rio Miya. Uma agradável caminhada para ver as barracas que vendem desde comida a roupas; e ver os locais em suas compras. Vale muito a pena experimentar as iguarias.
É também conhecida como Hida Takayama para marcar sua produção de Hida beef, carne tão especial quanto à famosa Kobe beef. Este gado é criado de um jeito característico, em liberdade quase que total, pastam por 14 meses e a pastagem fica em terras montanhosas. A textura da carne é super macia. O gado só pode ser criado por fazendeiros certificados. Comemos no restaurante Maruaki. A mesa tem grelhas para aquecer os pratos. A panela de pedra vem quentíssima para a mesa. Como eles terceirizam tudo 😉, o cliente termina de fazer o prato, para a carne não esfriar no trajeto da cozinha até a mesa. Tudo delicioso.
Vivi a experiência engraçada de ir um centro comercial com vários cafés e esculturas divertidas e conseguir a receita de um maravilhoso bolo. A moça, super gentil, arrumou os ingredientes no balcão e foi fazendo a mímica do preparo. Adorei. Fiz o bolo na volta e deu certo.
Takayama tem os melhores saquês do país, devido ao clima ameno e água cristalina.
Muitos fabricantes estão localizados na rua Sanmachi, a mais conhecida da cidade. Na fachada das lojas são pendurados barris da bebida e os sugidama, bolas feitas de galhos de cedro. Pela cor do cedro, se sabe se o saquê já pode ser consumido. Ao ser filtrado, um bola de cedro verde é pendurada. Ao secar, a bebida está pronta para ser bebida.
Gostei de ver em Takayama, idosas trabalhando de um jeito que a juventude quer recuperar. Trabalhando e morando num mesmo lugar. Entrei numa casa onde na frente tinha uma loja de tamancos, atrás a oficina e, na parte de cima, a habitação da proprietária. Uma senhora de 89 anos ainda fabricando tamancos, sentada em almofada no chão, e administrando sua lojinha.
Saber a idade dela foi um parto. Até que usei o google tradutor para perguntar e pedi que ela me respondesse na calculadora. Comprei um tamanco sem pestanejar. A senhora merecia.
Takayama também entrou no roteiro pela proximidade com os onsen (águas termais, ida descrita noutro post). Fomos ao Hirayo-no-More, no vilarejo de Hirayo.
Takayama não é uma Pequena Kyoto como gosta de se autoproclamar mas sua calma tem um grande charme. Valeu muito ter ido.
Lá, conheci e comprei, para meu neto que vai chegar e para os que ainda virão, uns bonequinhos Sarubobo. É o nome do amuleto, feito especialmente em Hida Takayama. Avós fazem para os netos e para as filhas terem um bom casamento, filhos saudáveis e harmonia conjugal. Dizem que trazem sorte no amor, trabalho, saúde, prosperidade e inteligência, união na família; cada cor garantindo um desejo. Os rostos não tem traços porque antigamente não tinha como saber o sexo. Tem de vários tamanhos. Trouxe pequenininhos para caber na bagagem 🥰
De Takayama, partimos para Matsumoto.
























