7 – Tokyo -Akihabara, Maid Café e Origami

Hoje é dia de ver onde os japoneses dão vazão a algumas das suas muitas paixões.

Pegar o metrô em Tokyo é uma diversão. Comprar o ticket, ver o vai-e-vem das pessoas ( o melhor 😎), as lojas, a estação e suas placas, banheiros e os vagões.

Não parece mas é um desafio bom de aceitar. Descobrir rotas, saber quanto e como pagar, achar entradas e saídas das estações. Uma verdadeira neuróbica, muita ginástica para os neurônios. Tipo decifrar a pedra da Rosetta.

Vamos começar por Akihabara – destino dos otakus e turistas curiosos.

Otaku é o termo usado para designar pessoas fanáticas por coisas específicas tipo computadores, videogames, carros, miniaturas, mangá (história em quadrinhos) e anime ( desenho animado ). O rapaz de preto pode ser um gēmu otaku – fã de videogames – e o adolescente, um fanático por celular.

Observei que aqui ninguém fala ao celular dentro de trens, metrô ou andando pela rua. Só mensagem de texto. Outra coisa que me identifiquei foi com o fato de gorjeta, em restaurantes, ser considerado ofensivo. Sempre encrenquei com este hábito que herdamos de outros países. Dar gorjeta é o “Ó”; em salão de beleza, então, mais ainda.

Os típicos desenhos de anime e mangá.

Akiba, apelido dado pelos frequentadores, é um distrito do bairro de Chiyoda, em Tóquio, também conhecido como Akihabara Eletric Town. Tem um número inimaginável de lojas de produtos eletrônicos que vendem coisas igualmente inimagináveis.

É o paraíso dos otaku.

Dá para sentir que o japonês é um povo que mergulha fundo nos seus gostos e hobbies, tem o DNA de otaku impresso há gerações no seu código genético. Um povo que leva suas manias e paixões para patamares desconhecidos por nós, ocidentais, latino americanos, em especial. Olhar o povo entrando nas lojas , deixa a gente com jeito de penetra numa festa que não entendemos muito bem. Tem um quê de compulsão, um jeito extremo de mergulhar muito fundo em tudo que faz. Os mistérios das diferenças culturais.

A indústria de anime movimenta a economia, gerando muitos empregos.

Há mais de 430 estúdios de produção que entregam produtos consumidos também fora do país, dando ao Japão fama internacional neste tipo de arte.

Os mangás, as histórias em quadrinho, idem. No Japão, pessoas de todas as idades são grandes consumidores, gerando bilhões de yens para a economia nacional: mais de 25% dos rendimentos do mercado editorial.

São um fenômeno pelo alcance a todas as classes sociais, graças ao baixo preço e à multiplicidade dos temas: trabalho, esportes, amor, guerra, medo, culinária, vida familiar e escolar. E, claro, há versões digitais e na web, sendo divulgados freneticamente nas redes sociais.

Uma crítica comum aos mangás, feita por ocidentais, é a de que podem ser excessivamente violentos, pornográficos e erotizantes. Não se sabe quem influencia quem: o mangá ou a sociedade.

Os Maid Cafés.

São cafés cujo tema visa alimentar a fantasia do homem japonês em ser servido pela mulher. O primeiro do Japão apareceu em Akiba. Neles, as funcionárias se vestem de empregadas domésticas e os clientes curtem ser servidos e chamados de “mestres”. O politicamente incorreto, não tolerado no mundo ocidental, tem seu lugar garantido no mundo das fantasias dos japoneses. A febre dos Maid Café está arrefecendo mas ainda segue.

Akiba tem muitos outros cafés com os mais variados temas para dar vida a muita fantasia. 😎 Há cafés para quem ama gatos, cachorros ou mesmo corujas. Paga-se por hora, para estar numa sala com um desses bichos, enquanto se toma um café. Eu nunca tinha visto o tal gato de Bengala. Parece um mini tigre. Olhei por um buraquinho e vi um cara sentando com uns 5 gatos no colo.

Há também os Soineya Café ou cuddle café. Paga-se por hora, não muito barato, para se deitar “de conchinha” com alguém. Quem não tem namorado(a), paga para ter companhia para um cochilo com algum carinho e sem sexo. Soineya significa “loja para dormir junto”. Tem mais bizarrices. Cafés para quem é fã de vibrador e para quem é fã de soutien. 🙂 Os artefatos não são usados no café, apenas apreciados e tocados. Vá entender…

Akiba também é ponto de encontro de cosplayers ( pessoas que se vestem como personagens de anime, mangá e de bandas e grupos de dança que fazem apresentações ao vivo). Atraem um fluxo enorme de pessoas para a estação Akihabara. É só ficar por perto e o espetáculo está garantido.

O clima otaku e nerd atrai hordas de visitantes todos os dias. Os fanáticos por produtos de beleza também tem um lugar ao sol por lá. Uma concentração de lojas que oferecem todo tipo de cosméticos que prometem eterna juventude e pele clara; e gadgets para arredondar os olhos puxados, aumentar bochechas e afinar rosto e nariz. Há um batalhão de crentes comprando o que vê pelos quilômetros de prateleiras. Entrar numa loja dessas é como entrar numa espécie de shangrilá que garante além de juventude eterna, beleza irretocável. Vá entender 😳

De lá, fomos para o Mundo do Origami

Fomos visitar o Ochanomizu Origami Kaikan, o primeiro centro para ensinar origami, a arte milenar japonesa da dobradura de papéis. Funciona num espaço de 3 andares com aulas de origami dadas por uma família desde o século 17. No piso 2, há uma galeria onde se pode ver lindas criações e entender um pouco da filosofia por trás do trabalho manual. No piso 3, uma oficina de produção de papel washi, um tipo muito especial de papel feito de fibra de arbustos e de forma artesanal. Tem muito valor para conservação e restauro de acervos históricos e é considerado um tesouro nacional.

Vale a visita mesmo para quem não vai fazer curso. Um loja encantadora com tecidos, papeis, posters e todo o ferramental para os origamistas 🙂

Queria ter tido tempo de fazer um workshop. Vai para minha lista de desejos.

Published by Marta Pessoa

Estudiosa da longevidade, fundadora da Longevos. As viagens são meu laboratório.

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