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1 – Indo pro Japão

A viagem desde o Rio foi longa, cerca de 28 horas de tempo de aeroporto e voos na classe econômica, mas sem excesso de cansaço.

Chega-se em Narita ainda com ânimo para pegar o trem até Tokyo e encarar mais uma hora e meia de trajeto.

A aventura começa já na hora de sacar dinheiro nas máquinas atm, é sempre bom ter alguma grana em moeda local. Depois, comprar os bilhetes do trem. À primeira vista, parece que tudo está em Japonês mas aos poucos são achadas as instruções em Inglês e vai diminuindo a sensação de desorientação total. 😊

Com alguns pedidos de informação, a plataforma é achada. Os japoneses são super solícitos. Mesmo com a barreira da língua – e com as características do sotaque quando falam Inglês, já que não conseguem pronunciar algumas consoantes, o “l”, por exemplo – eles se viram com mímica e não descansam enquanto não ficam seguros que o visitante teve a informação pedida. Em caso extremo de não haver entendimento, eles saem da sua rota e vão deixar a pessoa num ponto em que seja possível achar o destino. Gostei muito deste jeito nordestino de ser dos japoneses. 😊

Achamos a plataforma e tomamos um trem confortável até a estação de Shibuya, bairro onde vamos ficar por 4 noites. Na volta, ficaremos mais uns dias em Tokyo, em Shinjuku. A escolha de onde ficar usou o critério de bairros não muito caros, com afluência de gente jovem e com referendo de amigos que lá ficaram.

Os bilhetes foram comprados nas máquinas, com lugares marcados. Também foi preciso informação para se certificar da direção certa.

Ao entrar no vagão, a surpresa com a rota escrita assim, veio rápido o alívio da versão em inglês. 😊

A saída da estação já nos deixou no Shibuya Cross, considerado o cruzamento mais movimentado do mundo. Sem surpresa, porque o que se conta como certo lá em Tokyo, é ter uma multidão em tudo que é canto. Como decidimos só comprar um SIM card ao chegar em Tokyo, assim sem internet, fomos seguindo as dicas pré anotadas para chegar ao hotel que está a uns 600m da estação. Apesar das calçadas super movimentadas não foi complicado arrastar as malas que foram cuidadosamente preparadas para serem leves e de tamanho médio. Mais adiante, conto como preparei minha mala média, mirando um limite de peso de 10 quilos, para uma viagem de 01 mês, com a previsão de temperaturas amenas da primavera.

Tendo como referência a conhecida Shibuya 109, uma loja departamentos ( 10 andares dedicados à moda), não foi difícil achar o hotel.

Ficamos no APA Shibuya-Dougenzakaue. Bem localizado, limpo e bem conservado. O quarto era mínimo. Apesar de sabermos que espaço lá é luxo, ainda assim foi uma surpresa. O banheiro mais mínimo ainda ( acho que tem 1m x 1.5m 🙄) e merece um post à parte. A privada é a protagonista e faz jus à fama, com todas as firulas que já viraram objeto de desejo do mundo todo. O usuário se sente cuidado por uma mão invisível que o trata como um bebê, finalizando exemplarmente o número 1 e o número 2. Entrou para minha lista dos direitos inalienáveis dos seres humanos.

A cama ficava com a lateral e o pé quase encostados na parede, um espaço ( se é que se pode chamar um aperto daqueles de espaço 😄) super exíguo para acomodar as malas. O corredor que leva ao banheiro, era tão estreito que não dava para ser usado por nós dois, ao mesmo tempo, sem encontrões. Mas basta limpeza e uma boa localização para me deixar uma turista feliz.:-) O que pode parecer transtorno vira diversão e faz parte da graça de viajar.

Eu pensei em me hospedar, só para ver como era, num daqueles hotéis cápsulas que há por lá, projetados só para caber uma cama, a mala ficando numa prateleira acima, do tamanho de uma cabine de trem. Ainda bem que não fiz isto. Por uma noite só, para quem não tem bagagem já é suficientemente opressivo.

Quarto pequeno e sem armário tem seu valor: não tendo onde guardar nada, não se pode  tirar nada das malas. A acomodação é rápida 😊e fica tudo pronto para o próximo checkout.

Saímos em seguida para comer, procurando no Foursquare uma indicação próxima do hotel. Achamos o Usagi, um lugar simples e bem cotado para comer um ramen. Achei que, para melhorar o jetlag, um caldo quentinho com ovos cozidos, ia cair bem. Como será que eles fazem para os ovos ficarem tão gostosos 😋 ? A gema parece uma mousse com gosto de manteiga. 🤔. Foi excelente pedida. Mas convenhamos que sempre acho estranho tomar sopa de macarrão usando uma conchinha e pauzinhos de madeira 😊. Aqui fica permitido fazer barulho, chupando o macarrão. Outros modos 😊

Vimos que em volta do hotel há varias opções de restaurantes. Shibuya parece ser como dizem: fervilhando de gente jovem, animada. Boa escolha para alegrar “prateados” sessentões, como nós.

Ah, este ramen tinha pimenta na medida certa e as folhinhas lembram o jambu paraense pelo leve formigamento que provoca nos lábios. Eu que adoro sopas, caldos, adorei o jantar.

Fui dormir às 20:00h mas o jetlag me despertou logo depois da meia noite.

Já que madruguei, aproveitei para ir ver o famoso leilão de atum no maior mercado de peixe do mundo, o Tsukiji. Qual será a graça deste leilão que faz turistas acordarem ainda escuro para conhecê-lo? Este leilão está sempre na lista das coisas imperdíveis, em Tokyo. Esta programação requer estar no mercado, às 4 da madrugada. Tive que acordar meu “grupo” 😊 que dormia desdenhando do fuso horário. Pegamos um táxi, na porta do hotel, para não haver erro. Um carro limpo, com bancos vestidos de um tecido branco imitando renda, o motorista de roupa impecável, luvas brancas e sem abrir mão do ritual de tirá-las na hora de dar o troco que foi entregue com a cédula sendo segurada pelas duas mãos, como manda a boa educação. Passei a viagem achando este hábito muito engraçado. Tudo bem diferente para nós brasileiros, desde o figurino até a reverência com a qual um vendedor nos devolve o cartão de crédito. De minha parte, sempre esquecia de entregar o cartão segurando com as duas mãos. 😊

O programa de ida ao leilão deu errado de início mas acabou dando certo, como contado no post 2.

Compartilhando dica(s):

rome2rio.com é um site ótimo para ajudar a escolher o meio de transporte entre cidades. Usamos para saber os melhores trajetos.

Lembrar que a carteira de habilitação brasileira ( mesmo as internacionais emitidas mediante acordos ) não vale no Japão. Nossa ideia inicial era fazer o roteiro todo de carro. Foi feito de trem e ônibus. Logo percebemos que esta é mesmo a melhor forma. Os trens são frequentes e pontuais. Os ônibus idem. Não é preciso comprar bilhetes com antecedência. No dia de mudar de cidade não tem aquele perrengue de ir para um aeroporto e não há necessidade de tanto planejamento. Sem carro também é ótimo, hotéis com estacionamento são mais caros. Os hotéis perto das estações são ótima pedida. As estações de Tokyo e Kioto são enormes e tem tudo o que um turista precisa. Esta foi uma viagem onde podíamos olhar a paisagem tranquilamente e tínhamos a bagagem sempre à mão. Sempre que entrava num trem, me dava uma tristeza danada de não ter rolado aquele trem bala prometido para a Copa de 2018.

Vamos ao post 2.

2 – Tokyo – Muito passeio e muito jetlag, no primeiro dia 😄

  • Mercado de peixes Tsujiki
  • Templo Hongan-jo
  • Parque Yoyogi
  • Templo Meiji

Saímos do hotel de madrugada, comemorando que graças ao jetlag ia ser possível ver o famoso leilão de atum. Chegamos lá na hora certa mas o dia estava errado, era feriado e demos com a cara na porta. Perdemos o leilão mas ganhamos um passeio divertido pelas ruas em volta, com barracas de venda de frutos do mar, utensílios e restaurantes que ficam abertas 24horas. Nosso café da manhã, às 5:00h da madrugada, foi sushi. 😊 Sentados, à moda local, no balcão que eles chamam de “kaunta seki”.

É muito fácil ficar horas nos labirintos das ruas do mercado, vendo peixes e crustáceos diferentes dos nossos. Nos mercados, é possível deduzir muito do estilo de vida de um povo. O diferente agarra nosso olhar. As fotos falam por si só.

Polvos de um vermelho intenso, camarões rajados vendidos vivos ( vi também esse mesmo sistema no Vietnam e Tailândia), peixinhos de tamanho mini mini, espinhas secas de peixes ( o japonês não desperdiça nada), siris secos e lulas enormes. Adoro feira livre e mercado. Tsujiji é muito interessante.

Saímos de lá, em direção à estação de metrô para ir ao Parque Yoyogi. Mas no meio do caminho, havia um templo budista, o Hongan-ji. Entramos para ver os jardins e tomar água na fonte da entrada, seguindo as instruções. Os japoneses adoram instruções. Durante a viagem, fomos vendo instruções em várias situações, nos banheiro, nas estações, lojas e até mesmo em restaurantes que fazem com que os comensais se sirvam seguindo um procedimento. E que ninguém ouse inverter ou pular algum passo, sob pena de forte repreensão do garçom. 😄

No templo, a cuia que recolhe a água deve ser segurada com a mão direita para lavar a mão esquerda, em primeiro lugar. Só então se pode tomar a água – que não pode ser bebida diretamente da cuia – e entrar no templo.

Tokyo tem dezenas de parques e eleger qual deles visitar é muito difícil. O Parque Yoyogi foi escolhido porque ver as cerejeiras em flor – a Sakura – estava na minha lista de desejos. Marquei a viagem, consultando o mapa e calendário que as cidades disponibilizam, para início da primavera para ver a floração todo dia 😎. Não contei com a rebeldia da natureza que antecipou a floração e chegamos em Tokyo depois do seu auge. Chegamos cedo ao Parque. Entramos por um caminho lindo, fomos vendo lagos e jardins, mas cerejeiras em flor e aos montes como era a minha expectativa, nada. Uma aqui, outra ali, só para não sairmos de mãos abanando. A temporada de floração antecipou e chegamos um pouco atrasados. Já comecei a ver que ia mesmo ter que voltar ao Japão, certeza que foi se firmando quando vimos o tanto de museus e sítios históricos que a estadia de apenas 1 mês não ia permitir visitar.

Depois de muitas viagens, concluí que museus requerem um tempo que turistas não podem dispor. Não dá para ir a todos os que queremos ver. Vamos ficar sempre divididos entre caminhar pela cidade, ver suas paisagens e pessoas e uma ida ao museu. Há que escolher com muito critério.

Atravessamos o parque e fomos em direção ao Meiji, um templo xintoísta dedicado ao Imperador Meiji e sua mulher, considerados espíritos deificados. Sua época é conhecida como a Restauração Meiji, que pôs fim à era do Xogunato, o período Edo, fase de forte isolamento político e econômico, vivido pelo Japão. O imperador Meiji tirou o país de um regime feudal e deu início a uma época de abertura e grandes mudanças na educação, economia e religião. No roteiro, incluí fazer um trecho de uma rota comercial muito importante no tempo do período Edo, um trecho da rota Nakasendo, para ter uma ideia de como era o país dessa época.

O templo Meiji, considerado um santuário, se localiza numa floresta de 700 mil metros quadrados, área impressionantemente grande para estar numa cidade como Tokyo. O povo da cidade frequenta muito a área, usada como espaço de recreação.

Antes da entrada, há um mural de barris de saquê, embalados em palha, doados pelos produtores da bebida que é considerada um símbolo de progresso econômico, em agradecimento aos pedidos atendidos de boas colheitas.

O pórtico de entrada – torii – é grandioso. O maior, neste estilo, em todo o Japão. As toras de cipreste japonês medem 12m de altura, distantes 9m uma da outra. É impactante. A tradição manda que o visitante bata no torii para ter boa sorte.

Dentro do parque pode-se se perder, num verdadeiro museu a céu aberto. Edificações, visitantes, lojas, tudo requer uma olhadinha no Google para entender melhor o local.

Deu para ver, à pequena distância, uma cerimônia de casamento. Noivos e convidados vestidos a caráter, música, comida e saquê. A roupa da noiva foi uma completa novidade para mim. Seu chapéu lembrava um daqueles biscoitinhos da sorte servidos em restaurantes chineses.

Atravessamos o parque penalizados por não ter podido demorar um pouco mais na Galeria Memorial de Fotos, de não ter ido ao Museo dos Tesouros ( abriga pertences do casal real) e fomos em direção ao próximo destino, o bairro de Harajuku.

Decidimos de início que queríamos apreciar mais a natureza e as pessoas nas ruas mas, confesso, que foi duro ir deixando de lado tantos museus.

Vamos ao post 3

3 – Tokyo – O bairro de Harajuku e o contraste entre a rua Takeshita e a Omotesandō

Takeshita é um delírio. Uma rua onde predominam lojas com marcas independentes, pequenas galerias comerciais e umas poucas lojas de cadeia. Faz jus à fama de ditar tendências e as pequenas lojas são usadas para testar o que será popular e viralizado pelos digital influencers.

Um formigueiro em busca de roupas, sapatos, acessórios e muita, muita maquiagem. E muita disposição para filas e “encontrões”.

Um destaque para os espaços Purikura. Um lugar com cabines onde as pessoas podem customizar suas fotos com efeitos que as deixam de olhos redondos, pele clara e rosto mais fino e muitas outras coisas mais. Atende à demanda da sempre presente preocupação dos japoneses com a imagem.

A ideia é se enfeitar, se embonitar e fazer o registro do resultado numa foto que pode ser postado no Instagram.

É só ficar parado na calçada e o desfile de novidades e bizarrices começa.

Uma moda louca onde é bacana andar fantasiado ( de donzela americana do século 20, boneca ou doméstica )

As pessoas são enlouquecidas com maquiagem e há galerias com cabines de maquiagem onde a brincadeira é se pintar para ficar igual a astros pop e depois fazer uma selfie.

Perto da Takeshita fica a chiquerrima rua Omotesandō, conhecida como uma das ruas de maior exibição arquitetônica do mundo e destinada a compras de luxo.

Um festival de marcas exclusivas, uma passeata pelas calçadas, de mulheres e homens super bem vestidos. Depois da poluição visual da Takeshita, a Omotesandō é um colírio. Vale a pena gastar uns yens a mais e tomar um lanche fino, descansando do agito a poucas quadras. E, se for almoçar nas redondezas, é bom decidir cedo. As filas são intermináveis e, nem sempre, se consegue um lugar. Os japoneses costumam almoçar entre 12:00h e 14:00h. Os restaurantes obedecem a um ritmo mais lento. Nada de almoço, as 5 da tarde, como no Brasil. Neste horário, só shoppings podem nos socorrer.

Destaque para o Tokyu Plaza Omotesandō Harajuku, um shopping projetado pelo famoso arquiteto Hiroshi Nakamura. São 6 andares de lojas mas eu fiquei presa na escada de vidros recortados que se refletem e me deixou com a sensação de estar dentro de um imenso caleidoscópio. As fotos não conseguem explicar.

O bairro tem até um MoMa para consumo próprio.

Daí seguimos para o Parque Ueno.

4 – Tokyo: Parque Ueno.

Este foi o primeiro parque público da cidade, aberto em 1873. Um amplo espaço com galeria de arte, museus, universidades, templos e um zoológico. Nesta época, é muito frequentado por causa da  sakura ( floração das cerejeiras ). O costume local é fazer piqueniques sob as árvores.

É considerado o coração cultural da cidade. Tem um mundo de lugares para se visitar e, mais uma vez, muita coisa ficou por ser vista. Quem for lá pode escolher:

  • Museu Nacional de Artes Ocidentais
  • Museu Nacional de Ciências
  • Museu Nacional de Tóquio
  • Museu Metropolitano de Arte de Tokyo ( foto 4 )
  • Zoológico de Ueno, cuja atração principal é o par de pandas gigantes
  • Kyomizu Kannon Temple
  • E um lago com pedalinho

Bateu aquela inveja danada por quem mora numa cidade com tanta oferta cultural. Tokyo tem 9 milhões de habitantes, o Rio tem 7, São Paulo tem 12. As três são metropóles mas não dá para comparar quando o tema é o leque de ofertas culturais.

Tudo o que o Parque Ueno oferece vai se juntar ao trem bala, na minha lista de desejos para o Rio e São Paulo.

5 – Tokyo – Por fim, as cerejeiras.

A ida ao Palácio Imperial me fez encontrar uma região com um pouco do espetáculo que é a época de floração das cerejeiras.

A Sakura, nome da floração, acontece no início da primavera. Este ano, 2018, ela se antecipou e quem chegou na primeira semana de abril já pegou o final.

Há sites que divulgam a previsão do período e por cada região do país. Quem deseja ver o cherry blossom pode se programar para começar a viagem pelo sul do Japão, onde ela ocorre primeiro. À medida que a primavera avança, a Sakura avança em direção ao norte. Como o shinkansen, o trem bala, liga quase o país todo, é possível fazer bate e volta a partir de onde se estiver com destino à cidade onde a floração estiver em seu pico. Meu roteiro deixava de fora o norte do país e não topei sair de Tokyo em busca das cerejeiras em flor. Tive que me contentar com o que Tokyo me oferecia.

Nesta época, os japoneses fazem piqueniques – os hanami – nos parques para contemplar as cerejeiras. Veja o post sobre o Parque Ueno.

O Palácio Imperial está numa área central de Tokyo, onde antes ficava o Castelo Edo, quando Kyoto ainda era a capital do império. Desde a mudança da capital para Tokyo, antes chamada Edo, em 1888, a família imperial reside aí. Não fiz a visita guiada. Caminhar pelos jardins me pareceu ser mais agradável. O Castelo é soberbo.

Chegamos lá, saindo da Tokyo Station, a estação central da cidade, um belíssimo edifício antigo, de tijolos vermelhos. Um hub de onde partem e chegam mais de 3 mil trens por dia. 😳 Um complexo imenso, com muitas lojas e restaurantes, e com a desvantagem de ser muito fácil se perder.

Há dias, como hoje, em que se pode ver um cortejo de carruagem para cerimônias imperiais.

Do lado oposto ao palácio, surgem as cerejeiras brancas, uma das dezenas de espécie existentes.

Foi bonito ver a chuva de pétalas quando o vento soprava.

Em seguida, deixamos o parque em direção a Marunouchi, região onde ficam as sedes das mais importantes empresas do país, em particular, as do setor financeiro, instaladas em ruas de prédios monumentais contrastando com pequenas ruas, com ainda muitas cerejeiras floridas.

As flores rosadas me pareceram mais bonitas.

Almoçamos num restaurante de um dos prédios comerciais e me chamou atenção o ritual de retoque de maquiagem das mulheres japonesas, em seu horário de almoço. Era inacreditável o tanto de baton, rímel, base e outras tranqueiras mais que saíam das suas bolsas. O resultado era um rosto de pele perfeita, sem manchas, sem nada a consertar.

As idas aos banheiros de restaurantes ou mesmo nas estações, eram um espetáculo. Um clima de camarim de atrizes. As japonesas são hiper vaidosas. Gastam fortunas em cosméticos, maquiagem e cirurgias estéticas. E fico encafifada ao ver como perseguem o ideal de beleza ocidental.

6 – Tokyo – Passeando por Yanesen

Saindo do Parque Ueno, fomos em busca de um bairro conhecido por ser um local atípico, em Tóquio. Sem arranha- céus, sem cartazes em neon, sem karaokê, sem jovens executivos nos seus uniformes calça preta-camisa branca-de-manga comprida. Uma área frequentada e habitada pela gente das artes, por quem busca um estilo de vida simples e sustentável, distante do vivido por quem tem muita grana. Estes valores geram uma atmosfera singular, cultura boêmia e a “shitamachi vibe”. Shitamachi se referia às partes da cidade onde moravam os trabalhadores, normalmente, eram as partes baixas e mais pobres. E a vibe é aquela do tempo da velha Toquio, antes do milagre econômico dos anos 70/80, do século 20.

Esta região se chama Yanesen, uma junção das primeira sílabas de Yanaka, Nezu e Sendagi. É um passeio muito bacana, com ruas residenciais, muitos pequenos templos e cemitérios, casa de madeira, lojas de produtos autorais e um povo que gosta de circular em bicicletas. Aí é uma região conhecida pelo amor de seus moradores aos gatos.

Começamos a caminhada já nos surpreendendo com a mudança no visual das ruas e casas. Entramos pela Rue des Arts, nos sentindo como fora de Tóquio.

Na primeira etapa, já vimos ruas onde templos, casas e cemitérios dividem o espaço. A área é bem bonita, arborizada com cedros centenários e a estética budista, tão distinta da ocidental, não deixa que a gente faça ligação com os nossos cemitérios. A paisagem não nos remete à morte. Os túmulos são ornados com sotobas, estes grandes bastões de madeira ou pedra, com inscrições em caracteres sânscritos, com votos para facilitar a entrada do defunto no paraíso.

A diversidade da vizinhança. Monge, artista em frente ao seu ateliê e idosos ciclistas.

E segue: casas, casas de chá, túmulos, lojas para os locais e o templo Tennoji.

Ao final, chega-se à Escada Dandan, de onde se tem uma vista para o por do sol. Daí, desce-se para a rua Yanaka Ginza com lojas que funcionam desde 1912 contrastando com outras mais modernas de roupas autorais. Lojas só com artigos para gatos e sobre gatos. Sorveterias com o famoso sorvete imitando o ramen. As onipresentes máquinas de venda de refrigerantes, cigarros, revistas. Soube que ir durante a noite comprar alguma coisa, é uma mania da cidade.

Voltamos para o hotel. Este já é o terceiro dia em Tóquio e ainda não me entendi com o fuso. Junto com a excitação por conhecer tanta coisa nova, o sono parece que vai ficar para a volta.

7 – Tokyo -Akihabara, Maid Café e Origami

Hoje é dia de ver onde os japoneses dão vazão a algumas das suas muitas paixões.

Pegar o metrô em Tokyo é uma diversão. Comprar o ticket, ver o vai-e-vem das pessoas ( o melhor 😎), as lojas, a estação e suas placas, banheiros e os vagões.

Não parece mas é um desafio bom de aceitar. Descobrir rotas, saber quanto e como pagar, achar entradas e saídas das estações. Uma verdadeira neuróbica, muita ginástica para os neurônios. Tipo decifrar a pedra da Rosetta.

Vamos começar por Akihabara – destino dos otakus e turistas curiosos.

Otaku é o termo usado para designar pessoas fanáticas por coisas específicas tipo computadores, videogames, carros, miniaturas, mangá (história em quadrinhos) e anime ( desenho animado ). O rapaz de preto pode ser um gēmu otaku – fã de videogames – e o adolescente, um fanático por celular.

Observei que aqui ninguém fala ao celular dentro de trens, metrô ou andando pela rua. Só mensagem de texto. Outra coisa que me identifiquei foi com o fato de gorjeta, em restaurantes, ser considerado ofensivo. Sempre encrenquei com este hábito que herdamos de outros países. Dar gorjeta é o “Ó”; em salão de beleza, então, mais ainda.

Os típicos desenhos de anime e mangá.

Akiba, apelido dado pelos frequentadores, é um distrito do bairro de Chiyoda, em Tóquio, também conhecido como Akihabara Eletric Town. Tem um número inimaginável de lojas de produtos eletrônicos que vendem coisas igualmente inimagináveis.

É o paraíso dos otaku.

Dá para sentir que o japonês é um povo que mergulha fundo nos seus gostos e hobbies, tem o DNA de otaku impresso há gerações no seu código genético. Um povo que leva suas manias e paixões para patamares desconhecidos por nós, ocidentais, latino americanos, em especial. Olhar o povo entrando nas lojas , deixa a gente com jeito de penetra numa festa que não entendemos muito bem. Tem um quê de compulsão, um jeito extremo de mergulhar muito fundo em tudo que faz. Os mistérios das diferenças culturais.

A indústria de anime movimenta a economia, gerando muitos empregos.

Há mais de 430 estúdios de produção que entregam produtos consumidos também fora do país, dando ao Japão fama internacional neste tipo de arte.

Os mangás, as histórias em quadrinho, idem. No Japão, pessoas de todas as idades são grandes consumidores, gerando bilhões de yens para a economia nacional: mais de 25% dos rendimentos do mercado editorial.

São um fenômeno pelo alcance a todas as classes sociais, graças ao baixo preço e à multiplicidade dos temas: trabalho, esportes, amor, guerra, medo, culinária, vida familiar e escolar. E, claro, há versões digitais e na web, sendo divulgados freneticamente nas redes sociais.

Uma crítica comum aos mangás, feita por ocidentais, é a de que podem ser excessivamente violentos, pornográficos e erotizantes. Não se sabe quem influencia quem: o mangá ou a sociedade.

Os Maid Cafés.

São cafés cujo tema visa alimentar a fantasia do homem japonês em ser servido pela mulher. O primeiro do Japão apareceu em Akiba. Neles, as funcionárias se vestem de empregadas domésticas e os clientes curtem ser servidos e chamados de “mestres”. O politicamente incorreto, não tolerado no mundo ocidental, tem seu lugar garantido no mundo das fantasias dos japoneses. A febre dos Maid Café está arrefecendo mas ainda segue.

Akiba tem muitos outros cafés com os mais variados temas para dar vida a muita fantasia. 😎 Há cafés para quem ama gatos, cachorros ou mesmo corujas. Paga-se por hora, para estar numa sala com um desses bichos, enquanto se toma um café. Eu nunca tinha visto o tal gato de Bengala. Parece um mini tigre. Olhei por um buraquinho e vi um cara sentando com uns 5 gatos no colo.

Há também os Soineya Café ou cuddle café. Paga-se por hora, não muito barato, para se deitar “de conchinha” com alguém. Quem não tem namorado(a), paga para ter companhia para um cochilo com algum carinho e sem sexo. Soineya significa “loja para dormir junto”. Tem mais bizarrices. Cafés para quem é fã de vibrador e para quem é fã de soutien. 🙂 Os artefatos não são usados no café, apenas apreciados e tocados. Vá entender…

Akiba também é ponto de encontro de cosplayers ( pessoas que se vestem como personagens de anime, mangá e de bandas e grupos de dança que fazem apresentações ao vivo). Atraem um fluxo enorme de pessoas para a estação Akihabara. É só ficar por perto e o espetáculo está garantido.

O clima otaku e nerd atrai hordas de visitantes todos os dias. Os fanáticos por produtos de beleza também tem um lugar ao sol por lá. Uma concentração de lojas que oferecem todo tipo de cosméticos que prometem eterna juventude e pele clara; e gadgets para arredondar os olhos puxados, aumentar bochechas e afinar rosto e nariz. Há um batalhão de crentes comprando o que vê pelos quilômetros de prateleiras. Entrar numa loja dessas é como entrar numa espécie de shangrilá que garante além de juventude eterna, beleza irretocável. Vá entender 😳

De lá, fomos para o Mundo do Origami

Fomos visitar o Ochanomizu Origami Kaikan, o primeiro centro para ensinar origami, a arte milenar japonesa da dobradura de papéis. Funciona num espaço de 3 andares com aulas de origami dadas por uma família desde o século 17. No piso 2, há uma galeria onde se pode ver lindas criações e entender um pouco da filosofia por trás do trabalho manual. No piso 3, uma oficina de produção de papel washi, um tipo muito especial de papel feito de fibra de arbustos e de forma artesanal. Tem muito valor para conservação e restauro de acervos históricos e é considerado um tesouro nacional.

Vale a visita mesmo para quem não vai fazer curso. Um loja encantadora com tecidos, papeis, posters e todo o ferramental para os origamistas 🙂

Queria ter tido tempo de fazer um workshop. Vai para minha lista de desejos.

8 – Tokyo – Ginza, um bairro chic

Bairro abarrotado de lojas super bonitas e chiques. Há lojas de muitas marcas famosas, outras nem tanto mas igualmente bacanas. O que há de roupas mais tchan a gente vê por lá. Prédios inteiros abarrotados de lojas. Quem compra tanto?

O templo dos cosméticos e tratamentos de beleza é um prédio tão alto que não houve ângulo para pegar os últimos andares.

Um prédio histórico, da Seiko, do tempo em que seiko era sinônimo de relógio.

Os frequentadores não são compradores triviais. Sacolas pseudo discretas denunciam o poder aquisitivo da portadora. No metrô, uma cena impensável em cidades brasileiras: a sacolinha de compras exclusivas levadas em segurança por passageiros que aqui circulariam em carros blindados.

Mas há também uma ou outra ruazinha, acessível para os menos abonados e mais descolados.

Depois de passar aperto na rua Omotesando, onde acabamos desistindo de almoçar por causa das filas imensas nos restaurantes, aprendemos que é melhor ficar esperto e prestar atenção nas multidões que vão se formando na frente deles, quando vai chegando meio dia. Os japoneses almoçam cedo.

Em Ginza, depois de não achar o lugar que buscávamos, acabamos arriscando ir a um que, apesar do nome – Restaurante Yukku – tinha um ótimo almoço japonês. 😄

Decoração bem típica, frequentadores com jeito de que tinham deixado o escritório para almoçar. Destaque para a senhora que servia. Diligente, somente ela servindo as mesas, e vestida como se estivesse na sua casa. Para mim, a grande novidade foi o scallop – uma polpuda concha que tem gosto parecido com o da lagosta mas achei ainda melhor. Começamos a ver que predomina o hábito de horário de almoço ser entre 12:00h e 14:00h. Depois disso muitos restaurantes fecham, mesmo em cidades grandes. Deve ser porque eles gostam de se ater a um dia com cronograma estrito. O tempo é ouro também para japoneses.

Continuando o passeio, vimos um mercadinho bem diferente. Muito engraçada a  sensação de não poder saber que produtos estão nas prateleiras e o  que dizem os rótulos.

Para mim, a grande novidade foi encontrar os famosos e desprezados sargaços das praias de João Pessoa – aqueles com bolinhas verdes que são ótimas de estourar – sendo vendidos aqui como “see grapes” ( uvas do mar), a quase 13 dólares por 80 gr. Os japoneses comem tudo! Provei e achei delicioso, azedinho. Também nunca tinha visto beterraba de meio quilo 😊

Depois, seguimos para a rua do Teatro Kabukisa, o mais importante do gênero, no Japão. Sentamos por perto e ficamos lendo um pouco sobre o gênero Kabuki tão desconhecido por nós.

Teve início no século 17, fundado por uma sacerdotisa mas foi proibido por causa da sensualidade das danças. Aí os homens tomaram o lugar das mulheres e todos os papéis passaram a ser interpretados por eles. O exagero é sua marca. Figurinos extravagantes, cores berrantes, máscaras e maquiagem muito pesada para servir aos papéis femininos e masculinos e máscaras impactantes. O Kabuki é do tipo que ou se ama ou se odeia. Não tivemos tempo de ir ao teatro que deve ser tão bonito por dentro, como por fora.

Ginza é bonito mas não gostaria de ter ficado lá. Shibuya tem mais o tipo de vida que me agrada.

As moças vestidas de kimono são bacana de ver. Nas estações de metrô, a surpresa é maior. Passamos por Midtown, indo para Ropponggi, mas chegando lá, a energia acabou.

Tokyo Midtown é um complexo com lojas, escritórios, hotel e restaurantes. Dá canseira só de olhar. Depois que anoitece, tudo fecha. Se quiser conhecer, vir só durante o dia.

Quem busca balada, deve ir a Roppongi. Uma área cheia de bares e discotecas, frequentada por jovens e muitos estrangeiros. É a área preferida para morar, pelos expatriados.

Tentei esperar o agito começar mas desisti. Sou daquelas que saem do hotel, às 8 da manhã, caminha quilomêtros, sem cansar mas depois que escurece bate a fome de um jantarzinho e de voltar pro hotel. Não tenho nada a contar sobre Roppongi. De lá, trouxe só uma foto.

9 – Kyoto

Quioto foi fundada no século I, sendo substituída por Tokyo, como capital do império, em 1868. Com cerca de 1.5 milhões de habitantes, é muito fácil se locomover por lá e entender o espaço urbano. É linda e misteriosa. Muito preservada porque escapou dos bombardeios da Segunda Guerra Mundial. Ficamos 9 dias por lá e faltou tempo, para tanta coisa que há pelos arredores.

Deixamos Shibuya, às 8 da manhã de um domingo, passando pelo seu cruzamento quase sem pessoas na rua. Um visão rara. Em compensação, a Estação Central de Tokyo fervia.

Um vai e vem ininterrupto de gente que circula entre as lojas e plataformas. Tipos diferentes. Lojas e comidas, idem. Vou clicando o que vejo, lamentando não ser fotógrafa profissional. Mas vai assim mesmo. São tantas comidinhas. Gelatina com doce de feijão, de gosto muito sutil. Doces arrematados com folha de ouro. As adoradas panquecas com a descoberta do recheio de matcha e chocolate. Os yakitori, churrasquinhos de tudo, até de pele de frango. 😊 E bolo de banana, a novidade da estação 😊 É difícil chegar até a plataforma de embarque, parando para ver e comer de tudo um pouco.


Para mim, as pessoas é que são mesmo a grande atração. São exóticas, vestem-se do jeito que lhes dá na telha. Minha vontade é ficar parada, apontando o celular para as figuras que vejo passar. Clicando tudo que me chama atenção repetidamente: os sapatos extravagantes, os cabelos, a maquiagem. Arrisco uns cliques, temerosa de que alguém venha reclamar da invasão. Vendo esta senhora, com roupa plissada, entende-se de onde veio a inspiração de Issey Miyake para fazer aqueles vestidos que mais parecem origami. Sem contar com o trem bala que encanta, não apenas pela qualidade de transporte ainda inalcançável para nós brasileiros mas pelo seu desenho que me faz pensar que um tubarão vai me transportar.

E, no meio do caminho, tem um vulcão. O belo Monte Fuji. Nesta hora seria bom que o trem que nos leva fosse menos “bala” e a gente pudesse ver o monte por mais tempo. Não é sempre que o dia está limpo e se pode vê-lo. Se for de trem bala para Kyoto, lembrar de sentar do lado direito.

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A chegada em Kyoto traz uma surpresa: a estação. Não só é futurista mas também gigantesca. Tentei fotografar mas não há ângulo que permita meu celular fazer um registro fiel. Foi o jeito pedir emprestado ao Google, uma do interior, e me virar com as que eu fiz. Passamos pela estação, diariamente, durante nossa estadia em Kyoto, e todo dia era uma surpresa, uma parte nova que se via, um mundo de espaços. Só vendo para entender.

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As estações de trem em Tokyo e Kyoto são um verdadeiro centro de lazer, sempre com muito movimento, agradáveis e limpas.

A icônica Torre de Kyoto, com um mundo de lojas e um hotel, em sua base.

Nosso hotel ficava do outro lado da estação e, quando era preciso cruzá-la ( fazíamos isto pelo menos uma vez por dia), sempre terminava em perrengue. Um labirinto de alas com lojas e área de alimentaçao onde era muito fácil perder o senso de orientação.

Deixamos as malas e fomos aproveitar o fim de tarde e depois jantar num lugar com fama de melhor ramen do país. Para turista, onde se chega há sempre o melhor e maior de tudo 😊. Mas este lugar, tinha uma fila na porta, 1 hora antes do horário de abertura. Funcionam só no jantar. E a fama se justifica. O ramen era mesmo especial.

No dia seguinte, demos início a uma caminhada em direção ao lado mais antigo da cidade. Como sempre, no meio do caminho havia um templo: o complexo Tokiwacho.

Depois, fomos em direção a Gion, o distrito das Gueixas. Caminhamos antes pelas ruas em torno de um teatro onde queríamos ver uma apresentação delas. Hoje, há poucas queixas em Quioto, comparado ao que foi no passado. Nesta época do ano, muitas mulheres saem de kimono pelas ruas e é preciso ficar atento para não confundí-las com uma gueixa de verdade. O traço mais característico das verdadeiras gueixas é a maquiagem pintando a parte traseira do pescoço com uma marca em forma de “V” ou “W”. Elas não costumam sair durante o dia e, muito menos, às segunda feiras. Achamos o teatro, o Miyagawa-cho Kaburenjō Theater. Compramos os ingressos para uma apresentação de dança, em comemoração ao 150o. aniversário da Restauração Meiji, e mais uma pequena cerimônia do chá. Mas o maior show foi mesmo as pessoas, as casas e as ruas. A apresentação das gueixas requeria mais tempo de exposição à cultura, ainda pouco conhecida por típicos ocidentais como nós. Devo confessar que achei a música monótona demais e a dramatização fora do meu alcance. Tudo mais era interessante: o interior do teatro, o cenário, a iluminação. Nome do espetáculo: “Cisnes voando no céu” 🙂. As fotos eram meio que não permitidas, fiz o que pude. Na frente do teatro há casas onde funcionam uma espécie de restaurantes para as maikos, as aprendizes de gueixa. As fotos 4 e 5 são casas de maikos. Fizemos até uma amizade brevíssima com um casal local, vestido a caráter. Eles contaram que nesta época do ano, é comum que as pessoas andem com estas roupas típicas. Inclusive, os turistas alugam kimonos para passear. 😉

De lá fomos ao Nishiki Market, um mercado coberto, com alas muito estreitas e mais de cem bancas que vendem tudo: frutos do mar e peixes frescos, panelas, facas, temperos. É conhecido com a Cozinha de Kyoto. Mesmo tendo visitado o Tsukiji em Toquio, ele ainda consegue surpreender.

Templo Ginkaku- ji, conhecido como “Pavilhão Prateado”, está entre as montanhas da cidade de Quioto, chega-se lá com ônibus. Foi feito, inicialmente, para servir de refúgio durante a guerra, e a intenção era cobrir o templo com prata, assim como o templo-irmão Kinkaju-ji, que foi coberto com ouro, mas não chegou a se concretizar.

Os jardins dos arredores do templo são lindos, com passarelas de madeiras (detalhe para o capricho no bueiro feito de bambu), um lago, e muitas árvores. É bom chegar cedo para não topar com a multidão de colegas turistas. Aliás, chegar cedo onde quer que se vá, é sempre o melhor conselho.

Kiyomizu-dera, templo budista parte dos monumentos históricos de Quioto e patrimônio mundial pela Unesco. Um belo passeio para se chegar até lá. Tantas fotos que não cabem aqui 😔.

Fushimi Inari Taisha, é conhecido pelo grande corredor de toris vermelhos, montanha acima. Impossível conhecer em um dia os muitos templos menores espalhados por 4 km de parque. O homenageado é Inari, deus do arroz e patrono dos negócios.

Vagar pelas ruas de Quioto é um programa que não cansa os olhos. Uma cidade de 1.5 milhões de habitantes, plana, sem os arranha-céus de Toquio e com o rio Kamo. Ver uma furtiva gueixa e lembrar de não incomodá-la, como pede o cartaz.

 Pontocho, perto do centro, é um dos poucos lugares onde é possível encontrar um pouco da atmosfera histórica que faz a fama da cidade. São cerca de 500 metros que correm paralelos ao rio Kamogawa, entre as proximidades da avenida Sanjo até a Shijo-dori, perto de Gion, repletos de restaurantes, bares e casas de chá onde caras gueixas animam festas fechadas. Algumas dessas casas abrem durante o dia, mas a melhor hora para conhecer Pontocho é à noite, quando a movimentação de pessoas cresce e as lanternas dos estabelecimentos oferecem um ar nostálgico.

E haja templo! Tenryu-ji, construído em 1339, fica no distrito de Arashyiama ( o mesmo onde fomos bosque de bambu) e também é patrimônio histórico.

E mais templo! Seiryō-ji  é um templo budista, também da lista dos Tesouros Nacionais do Japão.

A caminhada nos levou, ladeira acima, para um bairro bem pitoresco. Bateu a fome e entramos meio desconfiados, no restaurante de entrada escura e sombria, da foto 4. O local era um típico restaurante local, a comida deliciosa, tudo limpo e fomos servidos por uma simpática moça que se ajoelhava a cada prato que nos servia.

Por aí, comprei um kimono para o meu neto que me espera voltar do Japão para nascer. Este kimono para usar no verão se chama Yukata. Quase não achei por que perguntava se tinham Yutaka. A troca de sílabas pode ser fatal. 😄 Muito difícil não trocar, decorar não é fácil. Este país desafiou e venceu minha memória, de que me orgulho tanto 😉.

Voltamos vendo as curiosidades japonesas. Como será que se estaciona um carro assim? Por que gostam tanto de bares onde vão acariciar cães e gatos? Como conseguem ser tão caprichosos (vide o acabamento do portão de bambu)? Como as crianças são tão bem educadas, à mesa? Como lembram de tantos detalhes para facilitar o dia a dia (vide a forma como se pode guardar os pertences)? Um povo impressionante criativo e educado.

O caminho do Filósofo. No período Meiji, neste caminho de cerca de 2 km, o escritor Ikutaro Nishida, professor da Universidade de Quioto, costumava caminhar ao longo do canal e meditar. Na década de 70, pessoas que residiam na região começaram um movimento de preservação e, hoje, é destino turístico concorrido. A rota do filósofo tem muitas cerejeiras ao longo do canal, uma vista para a floresta de Higasiyama e muitos templos. O costume de meditar no local, é adotado pelos moradores e turistas eventuais. Chega-se lá enfrentando uma pequena subida mas há muitas lojas e bares, para reforçar a energia. Gostei muito.

A Floresta de Bambu de Arashiyama é uma das atrações mais emblemáticas e fotografadas de Kyoto. É, por isso mesmo, muito visitada. Se quer um conselho, comece cedo. Bem cedo. Só assim terá oportunidade de ver a Floresta de Bambu quase deserta.

Nós tentamos mas uma noiva mais apressada chegou junto com a gente e fotografar o famoso caminho entre os bambus quase foi impossível. A noiva não estragou a paisagem nem o ambiente , lindo com uma luz do sol filtrada pelos bambus. É um lugar único em Kyoto!

Nara foi a capital do Japão, século 8. É uma cidade cheia de atrações e muito conhecida pelos milhares de cervos que vivem num dos seus parques. Eles são protegidos por serem considerados mensageiros dos deuses, segundo o xintoísmo. Este pagode da foto 1, foi construído por volta do ano 740 e depois restaurado, lá por 1450. Também está na relação dos monumentos patrimônio da humanidade.

Os cervos são amigáveis mas é bom não descumprir o posto no aviso. Quando se aborrecem, dão coice e arrancam o que está na mão dos visitantes. Um deles comeu nosso mapa da cidade.

Mais atração. Entre pela porta Nandai-mon, imensa nos seus 20 m de madeira, para ver as esculturas do Grande Buda. Aqui dizem ser a maior imagem do Buda, no mundo. Fiquei pensando que já tinha visto o maior Buda do mundo, na Tailândia. Acho que título garantido de maior do mundo mesmo só quem tem é o cajueiro de Natal-RN 😊. Num dos lados do templo, pessoas descem se arrastando por uma coluna de madeira pensada ser o orifício nasal do Buda. Os que chegam lá no lado final, serão pessoas iluminadas. Só de olhar dá claustrofobia.

Finalizamos nosso dia em Nara indo ao castelo do parque.

Outro bate-e-volta desde Quioto: parque Otemae e o castelo Himeji. Um complexo de madeira, com exterior de cor branca brilhante, impressionantemente bonito, e o mais visitado do Japão. O interior é um museu fantástico.

Deixamos Quioto com saudade de tudo. Agora, rumo à rota Nakasendo. Pegamos um trem bala para Nagoya, de lá um trem simples para Nakatsugawa, depois um ônibus para Magome. Tudo sem dificuldade. Guardamos a lembrança dos funcionários da estação, do trem bala, das organizadas filas nos banheiros e registramos o único lixo visto em qualquer delas: um grampo.

10 – A trilha entre Magome e Tsumago

Li e vi fotos de Magome e Tsumago quando estava montando o roteiro da viagem mas não tinha ideia do quanto iria ser positivamente surpreendida.

Elas não chegam a ser nem pequenas cidades, são vilarejos, chamados de juku e eram pontos de paragem da rota Nakasendo, uma das 5 rotas comerciais que havia no período Edo da história do Japão e que ligava Tokyo a Kyōto, passando ao longo do Vale Kiso.

Edo ( também o antigo nome de Tokyo ) é o nome dado ao período entre 1603 e 1868, quando o Shogunato era o modo de governo. Foi caracterizado pelo isolacionismo e ordem social estrita. Teve fim com a chamada Restauração Meiji que se caracterizou pela abertura do país.

A parte entre Magome e Tsumago, dois juku famosos, é um trecho em ótimo estado de preservação. São 8 km que podem ser percorridos em 3 horas, de puro encantamento com a natureza, passando por casas e sítios de atuais residentes. Num trajeto cheio de bambus, cachoeiras, pontes. Cenário lindo.

Os vilarejos são muito bonitos e típicos. O contraste destes lugares com Tokyo e Kyōto é impactante.

Magome é uma graça. Chegamos lá vindo de Kyōto, de trem, passando por Nagoya e Nakatsugawa e desta última, com ônibus. A estrada é linda e a surpresa foi que lá também tem os túmulos na beira da estrada, com as pedrinhas vestidas.

Chega-se de forma fácil até lá, um lugarzinho que se desenvolve ladeira acima com lojinhas e lugares para se hospedar – ryokans e minshukus. Os minshuku são os equivalentes às nossas pousadas, normalmente tocados por famílias mas com a característica de que não há serviço de “quarto”. Os hóspedes armam seus próprios futons e podem fazer uso de áreas compartilhadas, como banheiros e cozinha. Os ryokans são mais sofisticados.

A subida pode ser difícil para quem leva mala pesada. Aliás, as malas são o grande dilema de uma viagem ao Japão: devem ser pequenas para caberem nos quartos e trens mas as tantas coisas lindas que se vê e quer comprar, pedem mais espaço.

Chegamos a Magome numa tarde de sol. Subi com minha mala que pesou só 10 kg quando saí do Rio mas que “engordou” um pouco em Kyōto 😊 Nada que mate mas é sempre bom ter em conta não ir acumulando peso na viagem.

Fomos direto ao minshunku em que nos hospedamos por 2 noites. Ficamos no Magomechaya Minshuku. Eu nunca tinha estado num lugar desses antes e foi divertido ver o interior, o quarto com tatame e quase sem móveis, as áreas compartilhadas ( cozinha, banheiros, etc)). Tudo muito limpo e com atendimento super gentil.

O quarto com pouquíssimos móveis: uma mesinha, um armário onde ficam guardados os futons e edredons que chamaram atenção com o jeito prático da capa e uma mini penteadeira. Adorei o travesseiro de trigo sarraceno. E o “mimo”do kimono de verão – o yukata – para brincar um pouco de ser japonês 😊

Ha uma “sala” de estar para os hóspedes fazerem suas refeições. É proibido comer no quarto.

Aliás, este minshuku tinha jeitão de colégio interno. Antes do café da manhã e jantar, uma música era ouvida, um sinal sonoro lembrando os hóspedes para serem pontuais. Caso alguém perca o horário, a refeição nao é mais servida nem a pau 😊 Uma banheira de água bem quentinha e piso com esfoliante natural, para os pés 😊 E os tais banquinhos que eles usam para se banhar sentados. Eles levam a vida agachados 😊

Depois de acomodados, fomos passear por Magome. Vimos um festival de flores, de cores tão vivas que pareciam de mentira. Venho do nordeste brasileiro, onde predomina o verde na vegetação e não há muitas flores. Elas sempre me deixam admirada.

As pessoas, adultos e crianças, também me encantam. Queria poder fotografar tudo que acho diferente. Adoro ver as pessoas, embora aqui nem sempre as máscaras permitem. 😊

Um “magomense” elegantérrimo 😊 e sua amiga.

Nota dez para o jantar. Peixe e tempura, ótimos. E a exótica carne de cavalo ( pratinho abaixo do peixe ). E para o café da manhã: sopa, bolinho de batata, salada e repolho e cenoura. Ele ensinam como montar o sushi, usando só o hashi. Não é trivial, exige praticar.

E, finalmente, a trilha para Tsumago. Pelo caminho, um sino para espantar os ursos, várias “esculturas” de pedras feitas pelos passantes bem de acordo com o respeito que o povo daqui tem pelas pedras, um pequeno templo e a exuberância da folhagem.

Muitas surpresas pelo caminho: bosques de bambu, riacho de águas azuis e uma loja de artigos para os cavaleiros.

E, após 3 horas de caminhada ( claro que parando para ver a paisagem e as novidades), sem encontrar ursos pelo caminho, chegamos à pequena Tsumago, no vale do rio Kiso, vilarejo intocado que dá um pouco da ideia do que foi o passado feudal do Japão.

Descansamos um pouco, junto com algumas pessoas com quem fomos interagindo pelo caminho e depois passear na rua principal da Tsumago.

Saí de belisquete, experimentando guloseimas pelo caminho. Um bolo de arroz doce, cozido em folha de camélia, como se fosse uma pamonha, feito e vendido pela simpática senhora nascida e criada na vila. E um doce no palito que não consegui descobrir de que era. Mas era bom e tinha gosto de cuscuz de tapioca.

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Encerramos o dia tomando um café num lugar muito interessante, onde a dona entretia os clientes tocando um instrumento esquisitíssimo, enorme e com várias cordas. Voltamos de ônibus para Magome, felizes por ter incluído Magome e Tsumago, no roteiro.

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