11 – Kanazawa

Por que ir a Kanazawa, lá no oeste do país, às margens do Mar do Japão? Acreditei que ter sido inaugurada uma estação do Shinkansen, em março de 2015, era uma dica de que muita gente estava indo para lá. Os tais bons blogs me disseram que valia a pena por causa:

  • Gastronomia em alta
  • Distrito dos Samurais
  • Castelo de Kanazawa
  • Jardim Kenrokuem
  • Distrito das Gueixas
  • Mercado Omicho

Fomos e valeu a pena. Kanazawa, como Kyoto, foi poupada dos bombardeios da Segunda Guerra. Abrigou o segundo mais poderoso clã feudal, no período Edo, rivalizando com Kyōto e Edo ( antiga Tokyo) e era grande produtora de arroz. É uma cidade calma, muito organizada que permite ir aos pontos turísticos caminhando e com gente hospitaleira. Faltou ir à praia de Chirihama. As praias ficam sempre no fim da minha lista. Não por não gostar delas mas tendo vivido sempre com o mar ao alcance dos pés e da vista, penso que devo ir ver paisagens distintas. Quando fui à Tailandia, escolhi ir para o norte. Em Kanazawa, me arrependi um pouco mas não dava tempo, de todo jeito.

Chegamos lá, vindo de Magome e esperando uma modesta estação de trem. Foi uma surpresa só. O Japão prima nos detalhes. A todo momento nos surpreendemos com coisas inusitadas e a estação de Kanazawa não deixa por menos. Uma arquitetura com contrastes entre o novo de vidro e o antigo de ferro, um centro comercial muito grande, uma área externa ajardinada e com esculturas. Um conforto para os viajantes é que esta estação fica vizinha a dos ônibus, como nas outras cidades que visitamos. Para nós, foi especialmente conveniente porque de Kanazawa iríamos para Shirikawa-go e lá só se chega de ônibus. Demos uma rápida conferida e fomos para o hotel. Na volta, íamos ter mais tempo para dar um passeio por ela.

O pórtico de Tsuzumi impressiona. Dependendo de onde a gente se posicione, a vista é completamente modernosa ou com jeito de antiga. Ver a estrutura de vidro através dele é sensacional. E a cidade faz uma homenagem à chaleira, utensílio que ocupava lugar de destaque nas salas principais de uma casa japonesa. Vimos chaleiras em muitos lugares.

Ficamos num hotel escolhido ao acaso mas que acabou sendo bom, barato, novo e bem localizado ( Kaname Inn Tatemachi). Largamos as malas e saímos passeando para ir a Nagamachi, como é conhecido o Distrito Samurai. Inicialmente, os samurais eram servidores civis com função de cobrar impostos para o império. Depois ganharam funções militares, passando a ser da aristocracia. Com o fim do shogunato, viraram artesãos e comerciantes, classe que só passou a ser valorizada no período Meiji.

As ruas eram delimitadas por fossos para proteção e as casas sempre voltadas para o interior.

Saímos, procurando um lugar para jantar. Eu não paro de me encantar com bobagens: os enfeites nas direções dos carros, pessoas estilosas e cenas do cotidiano de avós.

Depois de poucos dias no Japão, saquei a importância do arroz, na culinária. Quanto melhor e mais bem feito for o arroz, melhor será a refeição. Eu que pensava que ia me esbaldar em peixes e frutos do mar, descobri que eles são acessórios, uma coisa à toa que enfeita a tigela de arroz. Mas eu apreciei tudo: o arroz, os frutos do mar, frango, os 3 tipos de “macarrão”: ramens, udon ( um noodle grosso) e soba (feito de trigo integral) e os caldos. Jantamos num lugar comum, onde a comida é servida no balcão e o prato tinha um detalhe curioso. O item mais especial do prato era um caldo. Depois vinha o arroz, feito numa panela de ferro das antigas, com tampa de madeira para dar um odor especial. E, por último, e menos importante 😳 vinha o peixe. O caldo era contadinho e a instrução era de que ele devia bastar para umedecer todo o arroz. Tanto riquifife parece que deu mais sabor à comida. Estava ótima.

O Castelo de Kanazawa, conhecido como o “museu dos muros de pedra”, foi construído em 1583, usado como residência de uma rica família, até 1869. Fica num parque, amplo como costuma ser os parques japoneses, tem 3 portões de acesso, sendo o mais usado o Ishikawa-mon, talvez por ser o que dá saída mais próxima para o Jardim Kenrokuen.

Impossível não notar os cestos usados pelo pessoal da limpeza do parque, para recolher folhas das árvores. Só folhas, não por ser proibido outra coisa mas por, simplesmente, não ter outro tipo de lixo. Regra geral, não há quem largue lixo, nos espaços públicos, no Japão. Não se vê lixeiras. As pessoas parecem levar seus lixos para casa. Na Zona Sul do Rio, até que os bairros são bem servidos de lixeira mas elas são ignoradas e algumas pessoas não tem cerimônia de jogar lixo nas ruas. Mais uma inveja: de pessoas que sabem se comportar com respeito por espaços coletivos.

Jardim Kenrokuem

O jardim ganha o título de “um dos 3 mais bonitos jardins do país”. Fiquei deslumbrada com a paisagem igual a que vemos em cartões postais de jardins japoneses. Laguinhos com aquelas pontes de cimento com um vão arqueado, árvores imensas e a maneira delicada como cuidam delas. Um passeio lindo.

Na saída, uma foto com as manias da viagem: cerejeiras e matcha, chá verde que eu nem dava tanta bola antes de ir ao Japão. Gostei, principalmente, do sorvete. E uma última olhadinha para o castelo.

Entramos, sem planejar, no que chamei a “rota dos doces de matcha”. Doces à base de matcha, um parecido com bolo de rolo; chá e o adorado matcha Latte. Experimentei o sorvete coberto com folha de ouro. Em Kanazawa, a folha de ouro é uma das grandes atrações. Tudo que se possa imaginar de uso para as películas douradas, tem por lá.

Acabamos parando para ver um protesto. Tenho uma filha do mundo da sociologia, antropóloga que ensinou minha alma matemática, apaixonada por tecnologia, a se interessar pelo mundo das ciências sociais. Um protesto calmo e solitário mas empenhado e observado por um transeunte e um policial que tenta desmentir uma má fama dos japoneses. 😉

Seguimos o passeio e vimos uma mostra de Yanagi Sori, um designer japonês (1915 – 2011), famoso por redesenhar produtos do cotidiano ( móveis, untensílios), mantendo os elementos tradicionais japoneses e tornando-os acessíveis a muitas classes sociais. Também tenho uma filha designer que me tirou da ignorância sobre o mundo das artes e fez minha alma de “tech people” ter gosto pelas soluções lindas e inteligentes que os designers nos dão. As filhas ampliam o mundo enquanto nos fazem pessoas melhores.

Museu Fonográfico de Kanazawa

Um jeito bom de saber sobre a história dos fonógrafos. Mesmo sem ser audiófilo, vale a visita. Lá, soube uma coisinha interessante sobre a RCA Victor, memória afetiva dos discos da minha infância, que estampavam no centro um um cachorrinho ouvindo um fonógrafo.

RCA Records (fundada como Victor Talking Machine Company, companhia independente até 1929 e conhecida como RCA Victor entre 1929 até 1968) era a mais famosa produtora de discos, até o final da década de 60, do século passado.

Comprou a Gramophone Co. e junto com ela o direito de uma imagem feita em situação peculiar. O cachorrinho Nipper era do cenógrafo Mark Barraud que morreu e o deixou de herança para o seu irmão Francis. Francis viu que Nipper ouvia atentamente e com carinha triste a voz do dono em gravações deixadas por ele. Francis fez uma pintura da cena e a vendeu , em 1901, para Gramophone, junto com o slogan “A voz do mestre”. RCA Victor ganhou a imagem quando comprou a Gramophone e foi assim que Nipper foi parar nos discos da RCA Victor e ficou famoso no mundo inteiro.

Aumentando a inveja do Japão 😌. Kanazawa tem 470 mil habitantes e os museus aparecem nos caminhos com a frequência com que as Americanas Express, surgem no Rio.

Uma guia turística inusitada.

Estávamos olhando um dos muitos templos ( Shimosnincho ) e uma senhora que nos observava se aproxima e faz a clássica pergunta que ouvimos de muitos japoneses empenhados em tratar bem o visitante: “May I help you?”. Depois da resposta, ela engata num papo em japonês , como faz a maioria, aponta numa direção e comanda que a sigamos. Obedecemos, com a recém adquirida perda do medo de estranhos, e não nos demos mal. Ela nos levou por uma ruazinha e, aos poucos, fomos deduzindo que ela queria nos mostrar os pequenos ateliês da redondeza. Fico pensando num japonês, turista no Rio, sendo abordado por um passante que o chame para segui-lo e ele indo confiante. Uma experiência dessa que final poderia ter?

Mas aqui tudo correu maravilhosamente.

Nossa guia nos levou por uma rua bem bonitinha. No caminho, os arranjos de pedra que vemos para todo lado.

Entramos, sem cerimônia, numa casa bem simples de uma senhora que pintava tecidos de seda. Já começamos pela cozinha, vendo a intimidade da proprietária.

Ficamos esperando a hora em que seríamos instados a comprar alguma coisa mas não aconteceu. Turistas são “mal pensados” mas têm seus motivos. 😊Agradecemos o convite para o chá e seguimos nosso caminho, muito gratos por ter encontrado esta senhora que parece saber preencher seu tempo. A gente lê coisas pavorosas sobre o isolamento dos idosos. É famosa e amedrontadora a solidão deles em países com muito velhos, como o Japão. Fiquei pensando que ia gostar de fazer o mesmo com turistas estrangeiros, aqui no Brasil. Esta pode ser uma atividade interessante para os dias de fartura de tempo que a aposentadoria poderá trazer.

O Distrito das Gueixas

As gueixas ( geiko, em japonês) conquistaram meu interesse depois da leitura de “Memórias de uma Gueixa”.

O livro conta como elas ganharam destaque, a partir do século 17, quando a cultura japonesa começou a incorporar os traços que dariam origem à fixação da elite do país pela beleza e pelos mistérios das geiko.

A palavra “gueixa” significa “pessoa que vive das artes”. Havia “escolas”, chamadas okyia, para formá-las na arte do entretenimento. Sua formação era tida como uma arte e utilizava elementos artísticos ( dança, música, literatura ) para entreter seus convidados, os nobres. A forma como preparavam o chá era uma cerimônia altamente requintada. O treinamento devia começar por volta dos 13 a 15 anos de idade. Em tempo de recessão econômica, alguns pais vendiam suas filhas para as okyia. O livro, através da personagem principal, supostamente uma gueixa real, conta o cotidiano das meninas, nessas casas. Um engano comum é se pensar que elas eram uma espécie de prostitutas de luxo. O trabalho delas não incluía sexo, elas eram artistas.

Pelos idos de 1920, estimava-se haver 80 mil gueixas, no Japão. Atualmente, não passam de 3 mil. Elas se concentram em Kyoto e Kanazawa. Não é comum dar de cara com elas, nas ruas. Elas tem hábitos discretos e vivem meio reclusas. Uns blogs me ensinaram a distinguir uma gueixa real das inumeráveis mulheres vestidas de gueixa que transitam pelas ruas de Tokyo. Na primavera, as mulheres saem às ruas vestidas como gueixas. Fiquei pensando como seria, no mês de junho, as nordestinas se vestirem de “matutas”para preservar tradições. 😊

Li que é preciso olhar a maquiagem, em especial, uma espécie de V, na parte de trás do pescoço. Para ter um contato mais próximo com essas personagens, as casas de chá tradicionais são os melhores locais. O mistério que as envolve, as roupas, a pele embranquecida pela maquiagem, o baton vermelho sangue, o penteado, o jeito de andar em passos miúdos limitados pela roupa, o jeito de ficar em pé com os joelhos curvados, fazem delas um espétaculo maravilhoso de ver.

Tive sorte de encontrar com uma delas, no Distrito de Higashi Chaya (Chaya é um local tradicional de festas e entretenimento. São várias casas de madeira de dois andares ao longo da rua), o único que visitei por ter sabido que era o mais antigo e preservado deles. Um dica é ir no fim da tarde, quando elas começam a circular nas ruas para irem aos locais onde se apresentam.

As casas estavam espalhadas pela cidade mas em 1820 foram removidas para áreas mais afastadas do centro. Tem dois andares, uma exceção, dado que no período Edo, a construção de casas de dois andares era proibida. Os bairros de Gion, em Kyoto e Kazue Machi, em Kanazawa são considerados patrimônio histórico japonês.

 

As tradicionais casas das gueixas estão dividas em três bairros diferentes. Fomos à casa Shima, preservada desde 1820 e aberta à visitação. Tem-se uma ideia perfeita de como é viver: os instrumentos musicais ( uns que eu nunca tinha visto), as dezenas de pentes, roupas, tamancos. Lá, se pode apreciar o jardim interno e participar da cerimônia do chá.

Eu, tietando uma gueixa. 🙂 Ela ia saindo da casa e não resisti: falei “Brasil, Brasil”. Pronto, ela sorriu e a “mestra” dela acabou fazendo a foto.

Voltando ao mundo normal, fomos nos deparando com as imitações de gueixas e samurais, tão encantadoras quanto os originais. Fiquei apaixonada pela gola das gueixas e pelo uso delas nas roupas atuais.

Eu que pensava ter visto o mais especial em Magome, Tsumago, fiquei de cabeça repleta com o mistério e beleza das gueixas.

O mercado Omicho

Carinhosamente apelidado de “Cozinha de Kanazawa”, em funcionamento contínuo há mais de 300 anos, tem papel central na cultura gastronômica da cidade.

Disputa com o Tsukiji, de Tokyo, o título de lugar mais interessante para se ver barracas com oferta de incontáveis de variados tipos de peixes e frutos do mar. Vou dispensar as fotos porque a surpresa que o Tsukiji me causou estragou a daqui.

Há muitos restaurantes com comidas típicas.
Experimentei um prato simples mas com um ritual que o restaurante faz ser cumprido, na ordem e maneira como você vai comendo. Há um passo a passo a seguir. É, basicamente, peixe sobre arroz. Começa-se adicionando os temperos ( gergelim, salsa, molho shoyo, wasabi), depois de se comer o peixe, acrescenta-se um caldo sobre o arroz restante e come-se de colher o resultado que fica parecido com uma canja.

Estava uma delícia mas 3 horas depois, eu estava passando tão mal que tive que voltar ao hotel. Fiquei de molho até o fim da manhã seguinte.

O mercado, o restaurante e o prato matador 😄 que vem acompanhado de instruções.

Antes de chegar ao hotel, o parque e o vaso de tulipas que pagou caro pelo meu mal estar com o exótico almoço 😊 que precisou ser “deixado” nele.

Na noite seguinte, ja estava pronta outra vez para encarar comidas perigosas.

Na volta, muitas pedras no caminho. Dei de cara com uma fabulosa loja de instrumentos musicais, parei para fazer foto para minha filha vidrada por eles. Comprei uma “iguaria” de nome estranho, praticando degustação às cegas. Dei sorte. Era uma bala de creme brulée, de uma marca queridíssima dos viciados em doce como eu.

Antes de ir para a próxima cidade, Shirikawa-go, prometi voltar.

12 – Shirakawa-go

Shirakawa-go é um vilarejo de 1.600 habitantes, com mais de 500 anos de idade, classificado como Patrimônio da Humanidade por causa das suas casas de madeira com teto de palha. Elas sobreviveram a terremotos e guerras.
O nome do teto é Gassho-zukuri e quer dizer “de mãos postas”, em referência à forma do mesmo.

Chegamos até lá, vindo de Kanazawa, numa viagem de ônibus, muito agradável ( Hokutetsu era a empresa) e em 1 hora e 15 minutos. Uma estrada com lindas paisagens.

O rio Shō corre entre as montanhas que margeiam a vila. Tem águas verdes claríssimas.

Ficamos na pousada Shirakawa Terrace, na entrada do vilarejo. A ideia inicial era ficar num ryokan, na parte central da vila, mas não houve vaga. E a pousada acabou sendo uma experiência divertidíssima que rendeu um “case de gestão” 😊 Duas proprietárias cuja criatividade faz com que os hóspedes auxiliem nas tarefas de café da manhã e manutenção da arrumação, sem nem sentir a “terceirização”. 😄 No final do post, alguns detalhes sobre o caso. Tudo muito bem cuidado, todos os quartos e sala de refeição, com uma bela vista para o rio.

Depois do checkin, fomos dar uma volta pela cidade. Há muitas casas habitadas, outras viraram lojas, cafés e restaurantes. São todas muito bem preservadas. As montanhas nevadas compõem o cenário.

O museu Kanda House, pertencente há 300 anos a uma mesma família, é bem interessante. É permitido visitar os andares superiores, repletos de móveis e utensílios que dão uma boa ideia de como a vida se desenrolava, no passado.

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A pergunta que vem logo à mente é como fazem manutenção do telhado. Uma foto num restaurante registra que era sempre feita pela vizinhança, em mutirão.

A vilinha é linda e ainda quero voltar no inverno para vê-la coberta de neve, como nesta foto 😍

A visita a um museu a céu aberto – The Heritage Museum Minkaen – que reproduz um vila como Shirakawa, é um passeio que justifica enfrentar esta ponte bem estreita, de cimento e com um vão muito largo e sem pilares. A travessia é temperada com o balanço da ponte e gritos de medo dos transeuntes. As casas do museu foram trazidas de cidades menores cuja preservação não se deu como em Shirakawa-go.

Um espetáculo de paisagem. Este “caminhozinho” de cor clara é o leito do rio coberto com as flores das cerejeiras que estão na margem. Muito lindo!

Para terminar, vamos saber como ter uma pousada e fazer dos seus hóspedes grandes colaboradores 😄

Detalhes da “terceirização” 😄

Fomos recebidos com as instruções de que nós mesmos deveríamos preparar nosso café da manhã. A notícia soou um pouco estranha. Pensei que isto tinha que ter sido avisado ao reservar. Mas era tudo tão bonito e no capricho, nas instalações; e uma paisagem tão linda do lado de fora que a notícia foi logo superada. Pratos, xícaras e talheres no armário. Uma caixa, com o número do nosso quarto, estaria na geladeira com os ingredientes. E aí veio a segunda surpresa: após o café, lavar tudo segundo as instruções na pia. 😯 O lixo deveria ser separado para reciclar. Também caberia a nós arrumar o tatame do quarto. E deixar o banheiro nas mesmas condições em que encontramos. Esquentar a água na chaleira ( água quente é tudo na vida de um japonês) e manter a geladeira em ordem.

As fotos dão uma ideia. Todas as instruções escritas na pia, na geladeira, nos armários, nas lixeiras, no quarto e banheiro. Era só seguir o passo a passo. 😊 Entramos na onda e foi divertido e diferente.

E instruções, muitas delas. Como usar a roupa de cama, nunca entrar sem a pantufa, fazer seu próprio checkout, não comer mais que 2 fatias de pão, cooperar com a reciclagem e não esmagar percevejos, caso apareçam 🙂

Quem topar entrar no esquema, vai acabar gostando da experiência.

Bom lembrar que Shirakawago tem todas as lojas fechadas durante a noite. Às 5 da tarde, alto falantes nas ruas começam a tocar música clássica para a população desacelerar e lembrar que a cidade se prepara para o descanso. Hora de voltar para a pousada e descobrir como se vai jantar. Duas opções: ou se faz a reserva nos restaurantes que abrem à noite ou já se acerta o jantar na pousada. Experimentamos as duas. Nota 10. As meninas da pousada prepararam um jantar delicioso, com muito papo e risadas. Foi a primeira vez que as vimos fazer algo por nós. 😄. Brincadeira, varrer e limpar banheiros era por conta delas.

13 – Takayama: o Japão das antigas.

Para nós, Takayama foi a cidade perfeita para estar no meio da viagem. Localizada nos Alpes Japoneses, 3 cordilheiras de montanhas a mais de 3 mil metros de altura, situadas no centro do país, de quem nunca tinha ouvido falar, até começar a montar o roteiro de viagem. Pequena, com apenas 90 mil habitantes, é calmíssima, tudo desacelerando ás 6 da tarde. Lá vi, pela primeira vez, altos falantes nas ruas, tocando música clássica, para desacelerar o ritmo das pessoas. Tem um distrito histórico Sanmachi Suji, de clima feudal, com as casas de madeira de comerciantes do tempo do Período Edo. Abriga muitas construções do período, quando a cidade tinha um comércio muito forte, sendo o saquê o destaque. E para não ser diferente das demais, muitos pequenos museus e santuários.

É famosa pelo festival bianual que celebra, há 4 séculos, a chegada da primavera com desfiles de carros alegóricos imensos. Eles ficam guardados em casas de pé direito altíssimo. Perdemos o festival mas o Museu Matsuri-no-Mori nos deu uma ótima impressão do que é. Lembra muito nosso Carnaval. Deve ser esta a única época do ano que Takayama sai da calmaria.

Mercado matinal de Migayana

Todas as manhãs um mercado a céu aberto é realizado ao longo do agradável Rio Miya. Uma agradável caminhada para ver as barracas que vendem desde comida a roupas; e ver os locais em suas compras. Vale muito a pena experimentar as iguarias.

É também conhecida como Hida Takayama para marcar sua produção de Hida beef, carne tão especial quanto à famosa Kobe beef. Este gado é criado de um jeito característico, em liberdade quase que total, pastam por 14 meses e a pastagem fica em terras montanhosas. A textura da carne é super macia. O gado só pode ser criado por fazendeiros certificados. Comemos no restaurante Maruaki. A mesa tem grelhas para aquecer os pratos. A panela de pedra vem quentíssima para a mesa. Como eles terceirizam tudo 😉, o cliente termina de fazer o prato, para a carne não esfriar no trajeto da cozinha até a mesa. Tudo delicioso.

Vivi a experiência engraçada de ir um centro comercial com vários cafés e esculturas divertidas e conseguir a receita de um maravilhoso bolo. A moça, super gentil, arrumou os ingredientes no balcão e foi fazendo a mímica do preparo. Adorei. Fiz o bolo na volta e deu certo.

Takayama tem os melhores saquês do país, devido ao clima ameno e água cristalina.

Muitos fabricantes estão localizados na rua Sanmachi, a mais conhecida da cidade. Na fachada das lojas são pendurados barris da bebida e os sugidama, bolas feitas de galhos de cedro. Pela cor do cedro, se sabe se o saquê já pode ser consumido. Ao ser filtrado, um bola de cedro verde é pendurada. Ao secar, a bebida está pronta para ser bebida.

Gostei de ver em Takayama, idosas trabalhando de um jeito que a juventude quer recuperar. Trabalhando e morando num mesmo lugar. Entrei numa casa onde na frente tinha uma loja de tamancos, atrás a oficina e, na parte de cima, a habitação da proprietária. Uma senhora de 89 anos ainda fabricando tamancos, sentada em almofada no chão, e administrando sua lojinha.

Saber a idade dela foi um parto. Até que usei o google tradutor para perguntar e pedi que ela me respondesse na calculadora. Comprei um tamanco sem pestanejar. A senhora merecia.

Takayama também entrou no roteiro pela proximidade com os onsen (águas termais, ida descrita noutro post). Fomos ao Hirayo-no-More, no vilarejo de Hirayo.

Takayama não é uma Pequena Kyoto como gosta de se autoproclamar mas sua calma tem um grande charme. Valeu muito ter ido.

Lá, conheci e comprei, para meu neto que vai chegar e para os que ainda virão, uns bonequinhos Sarubobo. É o nome do amuleto, feito especialmente em Hida Takayama. Avós fazem para os netos e para as filhas terem um bom casamento, filhos saudáveis e harmonia conjugal. Dizem que trazem sorte no amor, trabalho, saúde, prosperidade e inteligência, união na família; cada cor garantindo um desejo. Os rostos não tem traços porque antigamente não tinha como saber o sexo. Tem de vários tamanhos. Trouxe pequenininhos para caber na bagagem 🥰

De Takayama, partimos para Matsumoto.

14 – Indo a um Onsen

Hoje foi dia de experimentar os famosos banhos em águas termais dos Alpes Japoneses.

Os banhos de água quente em fontes naturais – os Onsen – são parte da tradição japonesa. Nos arredores de Takayama, subindo as montanhas, há ótimas vilas com lugares onde se pode ir a estes banhos. Uma experiência que não se pode perder. Eu torci para fazer frio mesmo sendo primavera e o frio veio. Fazia 12 graus. Esqueci de detalhar o pedido e o frio veio com uma chuvinha fina que acabou dando mais graça ao banho. A estrada muito bonita e lamentei não termos podido alugar um carro para fazer este trecho ( a carteira internacional tirada no Brasil não é aceita aqui ). Teria parado em vários pontos com cachoeira e vista para picos ainda com neve. Escolhemos Hirayo, a vila mais próxima de Takayama, a 27 km mas o trajeto de ônibus levou 1 hora. Estrada com curvas, ladeira acima e baixo limite de velocidade. Andar de ônibus aqui é muito cômodo. Partem nos horários determinados, são limpos e todo o trajeto é explicado, em inglês, com som ambiente.   O onsen que escolhemos foi  o Hirayu-no-Morí, indicação da moça da pousada de Shirakawago. E, também, por estar a 5 minutos da parada do ônibus. Na área de espera, um laguinho para os visitantes mergulharem seus pés na água quente. Eu me amarro nestes detalhes.

E foi assim:

  • na entrada, o ritual de sempre de abandonar os sapatos
  • por 500 yens, pode-se ficar lá o dia  inteiro.
  • paguei mais 200 por uma toalha, porque esqueci de levar uma.
  • o banho aqui separa homens de mulheres. Meu marido foi para o lado dele, instruído para depois fazer um relatório 😊
  • Aliás, os onsen sem separação de sexo são mais raros. E os que permitem pessoas com tatuagem começam a aparecer só agora.  Até bem pouco tempo era proibido. Eles fazem associação de tatuagem com a Yakusa, a máfia japonesa.
  • Sala 1: tira-se a roupa e pode deixar nas cestas ou num armário com chave ( mais 100 yens ). A partir daí fiquei sem celular. Fotos são proibidas lá dentro.
  • Sala 2: banho com sabão e shampoo. Regra básica para eles: ninguém pode entrar nas piscininhas e ofurôs sem estar super limpo. Nesta sala tinha 3 mulheres.
  • Aí já fui me fazendo de lesa pra puxar assunto. Quer dizer, puxar mímica 😄Liguei o chuveiro e gritei:” Help me.I don’t know how turn it off”. Nem sei porque não gritei “Eita, como é que esta porra desliga?” Ninguém entende mesmo nenhuma das duas línguas e só a mímica funciona 😄
    E aí uma delas foi ficando colega 😊
  • Depois fui para a primeira piscina, coberta e ainda na parte interna.Do lado de dentro, quentinho, dava para ver o lado de fora, com muito verde e muita água.

  • Água deliciosa. Fiquei um tanto e fui para o lado de fora. As piscinas ao ar livre são mais bonitas, com vista para a mata, para montanhas nevadas e com jardins japoneses lindos. Mas estava gelado e chuviscando. Bati pino e fui pra uma metade coberta.
  • Fiquei a maior parte do tempo nela. Ficava lá e saía de vez em quando para pegar uns chuviscos. Fiquei mais de 1 hora lá no molho. Não achei q fosse ter paciência de ficar tanto tempo mas como achei uns papos, deu bem 😊.
  • Achei via Google uma foto da piscina em que fiquei. Não era permitido fotos lá dentro
  • E as mulheres peladas? Comportam-se naturalmente, numa atitude sem o menor indício de que estão ali para exibir seus corpos.  Desfrutam do banho, o foco é nele. É muito difícil saber a idade das japonesas. Aqui só dá pra classificar assim: nova, média e velha. Lá, só tinha média e velha. Todas sem celulite ou gordura localizada. Vi que elas olhavam com o rabo do olho para minhas cicatrizes. Elas, no entanto, não tinham nenhuma. Parece certo que aqui as pessoas têm menos câncer.

  Fiquei imaginando como devia ser este cenário com neve.   A água tem um leve cheiro de enxofre e, depois do banho é aconselhável não usar mais sabão, é só se secar para a pele seguir se beneficiando da água.

  • Quando fui trocar de roupa, não resisti fiz uma fotos do interior. Todas bem ruinzinhas porque estava fazendo escondido.

Tudo perfeitamente organizado.

Viram o banquinho? As moças voltam das piscinas, sentam e tiram uns produtos de uma sacolinha. Fiquei com inveja de uma faixa com que esfregavam no corpo, para esfoliar. Ganhei shampoo de uma delas.   Meu marido contou que do lado dele o silêncio era total. Tanto que ficou com a impressão de ter me ouvido falando 😄. Depois que saímos, fomos tomar um chá e ficamos de brincadeira, falando do que não foi possível saber. Tipo, se aquele detalhe anatômico das moças, dito atravessado, era verdade ou mito. Ou se a falta de imponência nos  rapazes, também era fama infundada. Muito gostoso o banho no onsen. Muito interessante poder vivenciar um pouco dos costumes locais. Curti muito. Quero voltar no inverno e passar por este trecho da estrada, com parede de gelo dos dois lados da estrada, como nesta foto que tomei emprestada 😱 Teria encerrado comendo um belo pedaço da famosa carne Hida, não tivesse me empanturrado de doces diferentes. Foi ótimo. Um quilo desta carne especialíssima custa 400 dólares 😱

15 – Matsumoto

Uma cidade de onde se pode ver os picos nevados dos Alpes Japoneses, mesmo na primavera, e ficar hipnotizado com a beleza do seu Castelo de cinco séculos.

Matsumoto entrou no meu roteiro por causa da artista Yayoi Kusama, que nasceu lá e cuja obra me deixa extasiada. Conto, em seguida, como tive sorte em ir lá logo na época de uma super exposição dela, no Museu de Arte de Matsumoto.

Chegamos em Matsumoto, vindo de Takayama, de ônibus. A estrada com paisagens lindas. Vimos, na passagem, plantações que, só depois, soubemos de ser de raiz forte. Matsumoto é a terra do wasabi.

A cereja do bolo é o Castelo. Um dos mais antigos do país, construção iniciada no século 16, tem cinco andares de madeira escura que lhe valeram o apelido de “Corvo Negro”. A torre do castelo, de onde se tem uma vista linda da cidade e dos Alpes do Norte, é classificada como Tesouro Nacional do Japão. Funcionou como forte e vale visitar para ver o piso, as janelas, os portões e os jardins.

Lá, não foi preciso pegar ônibus ou taxi, pudemos ir caminhando para os lugares que escolhemos ir.

O que mais gostamos:

Nakamachi é uma rua com construções chamadas “Kura”, armazém, em japonês. Ali viviam os comerciantes, no período Edo. Elas foram a solução encontrada por eles para proteger suas mercadorias de incêndios e outras intempéries. Como eram ricos, deixaram de lado as casas de madeira, mais baratas, e passaram a construir seus armazéns de alvenaria, muito mais caros.

Estão bem preservadas e hoje funcionam nelas lojas, restaurantes e ryokan. Algo nelas, acho que o desenho de losangos nos muros, me lembrou casas da minha infância, em João Pessoa.

A Nawate Street, ou Rua do Sapo, é um rua de pedestres, à margem do rio Metoba que corta a cidade. Está ali desde o século 16, com casas em estilo tradicional, que dão os fundos para o rio. . Ao longo da rua toda, o tema é sapo. Na entrada, tem uma escultura de 3 grandes sapos, mais sapos de variados tamanhos e materiais, aplicando a rua. . Dizem que, no passado, o rio era habitado por muitos sapos que se encarregavam da trilha musical, ao anoitecer. Um furacão fez o rio transbordar e os sapos foram embora e não voltaram mais. Esculturas de sapos foram espalhadas na rua e até um templo foi feito, em homenagem aos bichos. Esta é uma das histórias contadas para explicar o nome da rua. O fato é que ela hoje é cheia de lojas, ryokan, bares, restaurantes que ocupam as antigas casas, com os fundos dando para rio, onde a gente senta ,pede um café para apreciar a vista do rio e come uma das comidas típicas, como o taiyaki, um tipo de panqueca em forma de peixe recheado com pasta doce de feijão vermelho. Quem gosta de souvenir de viagem, ali é o ponto, tem tudo que é coisa com jeito de sapo. Só me restou uma foto da parte de trás de uma das casas e uma, numa área perto, com um jardim com um laguinho bem raso feito para os cachorros molharem suas patas , se refrescarem ou fazerem cocô. Delicadezas que não advínhamos existir. Vi poucos cachorros nas ruas do Japão. E um ou dois gatos em ruas de cidades menores.

Gostei muito do soba de Matsumoto. Confesso que chegou uma hora que eu já não comia mais, com tanta avidez, ramen ( noodles de trigo branco), udon ( noodle de trigo, com formato mais largo) e soba ( noodle de trigo sarraceno). Mas o que comemos no Soba-dokor Gassho, massa fresca, feita no local, estava delicioso. Era um dia de calor e experimentamos o soba gelado. Estava ótimo.

Acabei comendo bastante oyaki, um tipo de dumpling de trigo sarraceno, com recheios variados. Fiquei sem fotos dos dois, chega também a mesma hora que eu não tinha mais vontade de fazer fotos do que comia. Depois a gente se arrepende mas somos salvos pela internet, a quem pedi emprestadas as fotos a seguir.

Escola Kaichi foi a primeira escola (1873) em estilo ocidental, construída no país. No período Edo, as pessoas comuns podiam frequentar apenas escolas primárias e apenas os filhos dos Samurais tinham o privilégio do acesso à educação superior. Ela surgiu com a grande reforma educativa iniciada no período Meiji. É uma construção super bonita, onde hoje funciona um museu, com um importante acervo de documentos e objetos relacionados ao ensino. As salas de aula e auditório foram preservadas, em sua forma original. O prédio está listado, desde a década de 60, como Bem Cultural nacional. Do lado oposto da rua, funciona a atual Escola.


Antiga residência paroquial católica
, em estilo ocidental, foi construída em 1889, por Pére Clement, padre francês que produziu o primeiro dicionário japonês-francês. A obra foi editada e concluída aqui, nessa casa. Fica perto da Escola Kaichi, numa área bonita. Sentamos num banco de jardim e ficamos vendo uma creche-escola. Bacana ver as crianças brincando, as instalações e as montanha nevadas, ao fundo.

Na volta, fomos procurar a casa da família Takahashi, conhecida como a Casa do Samurai, restaurada e aberta ao público para mostrar como viviam as pessoas, no fim da era Edo e início da era Meiji. A família viveu lá de 1726 a 2004, quando foi doada à cidade e restaurada a partir de um documento de 1883. Apesar das indicações, não conseguíamos localizar a casa na rua e, graças a isso, acabamos por encontrar uma simpática senhora, moradora da rua (“da”, não “de”) que saiu da sua rota e nos levou à casa, bateu uns bons minutos de prosa e nos presenteou. É interessante como os japoneses das cidades pequenas tem sempre um mimo para os visitantes. Fomos presenteados em vários locais, com o presente sempre seguido da frase “Peresente para Burasil”. Muito divertido ver o jeito como pronunciam as letra “r”e “l”.

As obras de Yayoi Kusama

Nascida em 1929, numa família de classe média, filha de uma mulher que não aprovava seu pendor artístico nem muito menos entendia os sinais do seu transtorno mental. Yayoi tinha alucinações desde criança e isto foi o fator que mais dificultou sua relação com a mãe. Foi diagnosticada com esquizofrenia, o que explica um pouco a potência da sua criatividade. Fez de tudo como artista: pintura, escultura, instalações ambientais, escreveu romances e poesia. Desenvolveu uma obsessão por bolinhas que lhe rendeu fama mundial. Eu também sou louca por bolinhas mas arte mesmo quem faz é a grande Yoyoi. Mora num hospital psiquiátrico, por decisão própria, e segue trabalhando com o vigor de jovem.

Tive a sorte de descobrir, quando planejava a viagem, que o Museu de Arte de Matsumoto realizava a maior exposição já feita, com 180 trabalhos: Yayoi Kusama: All About My Love.

Matsumoto também entrou no clima e se enfeitou com bolinhas. Ônibus, bancos de praça, as onipresentes máquinas de venda. Eu entrei no clima e me vesti de bolinhas para homenagear esta artística fantástica.

Uma sala com 66 painéis, de tamanho espantoso ( em torno de 2.0m x 2.0m) é a parte que mais impressiona. Uma sala com espelhos que reproduzem imagens, infinitamente, fazendo a gente se sentir dentro da cabeça dela. Uma produção tão copiosa que só uma mistura de genialidade com loucura pode gerar. De onde vem tanto talento, criatividade e energia para realizar um trabalho tão maravilhoso? As pessoas que trabalham no museu estavam na maior empolgação com esta exposição tão especial da conterrânea ilustre. Yayoi planeja comemorar os 100 nos de vida com outra exposição.

As bonecas artesanais Kimekomi, feitas de madeira e retalhos de tecidos dos kimonos. Fazer estas bonecas era uma atividade desempenhada pela mulheres de classe alta por lazer, junto com a prática de ikebana e bordado. No fim da era Edo, quando a prosperidade dos samurais entrou em derrocada, as mulheres começaram o lucrativo negócio de venda das bonecas. A cidade tem várias lojas e é possível conseguir uma visita em um dos muitos ateliês. Não são baratas. Outro artesanato muito bonito: as bolas Temari ou bolas bordadas. Representam desejos de paz e harmonia, são um bom souvenir e tem aulas para quem quiser se especilizar. Atenção para as tampas dos bueiros nas maior parte das calçadas da cidade, todas com desenhos das Temari.

Matsumoto surpreende pela pegada de tecnologia. Gostam de automatizar a venda de tudo, os restaurantes permitem auto atendimento que permite que estrangeiros tenham mais detalhes sobre a oferta. Robôs servem sorvetes e o conhecido Pepper, desenvolvido por empresa fomos japonesa, está por aí, em muitos locais, atraindo e atendendo clientes. Eu amei encontrar com Pepper. 🙂

Na minha próxima vinda ao Japão ( os anjos da boca murcha digam amém 😀), só vou querer saber de cidades pequenas.

Hoje consegui ler minha primeira palavra, em japonês: karaokê 🙂

16 – Voltando a Tokyo: Shinjuku

Programamos começar e encerrar a viagem, em Tokyo. Na ida, ficamos em Shibuya e na volta, em Shinjuku. Shinjuku é praticamente uma cidade, tem perto de 350 mil habitantes, é um importante centro comercial, abriga a mais movimentada estação de trem do mundo e a sede do governo metropolitano de Tokyo está lá. Um bairro espetacular.

A maior faixa de travessia de rua que já tinha visto. Olhar para o alto do prédio é torcicolo , na certa.

A Tokyo que estou vendo é surpreendente. Por mais que eu tenha lido sobre a cidade e ouvido relatos de amigos que vieram aqui, tudo foi muito além da expectativa.

Sendo uma das cidades mais populosas do mundo, poderia ter problemas proporcionais ao tamanho e similares a de outras metrópoles. Mas a impressão que predomina é de um lugar seguro e onde tudo funciona a contento.

E como tem gente! As ruas são sempre lotadas. Como tem lojas, bares, parques, museus, galerias! Deixei de lado a vontade de ir a muitos museus. Ou via a cidade e o povo na rua, coisa que adoro, ou me perdia nos museus. Como eles são mais acessíveis no mundo virtual, deixei para a próxima.

É muito difícil escolher o que conhecer. Em especial, no meu caso que vou passar só uma semana, em duas etapas.

Tokyo tem o mesmo clima sedutor de cidades como Paris, Nova York que encantam os visitantes mesmo sem ter muitas belezas naturais.

Ruas muito organizadas onde abundam prédios imponentes e modernos que nos deixam pensando como o país foi capaz de tanto sucesso material, tendo vivido momentos tão difíceis.

Um invejável sistema de transporte público: trens e metrôs cobrindo toda a cidade. 

Uma frota de táxi de tão boa qualidade que não deixou muito espaco para o Uber prosperar. Os motoristas capricham demais no cuidado com os veículos. Chegam ao exagero de fazer capinhas de tecido rendado branco para os bancos. E são solícitos mesmo falando apenas japonês.

Eu diria que em Tóquio as pessoas que circulam na cidade são as responsáveis por este xurupitó. Não apenas por serem gentis. São todos solícitos e dispostos a ensinar caminhos. Sempre perguntam se queremos ajuda ao nos ver com mapas abertos e cara de dúvida. 😊

Elas são um espetáculo à parte. Na forma com se vestem e se enfeitam para o dia a dia, dão um verdadeiro show. Sendo elegantes ou exóticas. Parece que não fazem outra coisa além de pensar nos seus figurinos e maquiagens.

As mulheres vestem-se em superposições inusitadas: saias sobre calças, vestidos sobre saias e blusas, tudo finalizado por casacos estilosos. Aqui, o mito de que só mulheres altas podem ser elegantes cai por terra. Haja baixinha charmosa e estilosa. A tirania dos peitos e bundas grandes ainda não baixou por aqui. Nada de roupas apertadas, ao contrário das brasileiras que tanto orgulho tem das suas lordoses 😊. As japonesas dão show de beleza com seu estilo próprio e peles super bem cuidadas. Nada é casual. Há detalhes em tudo: nas meias, nas bolsas, nos sapatos. Cabelos super bem cortados e de cores inimagináveis.

E com maquiagens perfeitas. Uma ida ao banheiro pode se transformar numa aula. Basta ficar olhando com o canto do olho como elas refazem batons, como repintam os olhos, como sabem realçar as peles imaculadas, sem nenhuma mínima manchinha. Um jeito de usar maquiagem parecendo que estão sem.

Alias, os banheiros são um lugar de limpeza inatingível em nossas plagas. Sem mau cheiro e com as famosas privadas que fazem a higiene do usuário. Algumas até com música que simula o som de torneiras abertas para “inspirar” os mais demorados 😊 ou com um som de descarga permanente para garantir que possiveis indesejados sons sejam ouvidos do lado de fora.

Aqui há detalhes em toda parte.

A lingua falada e escrita sendo tão pouco conhecida dos ocidentais, aumenta o mistério e deixa a sensação de se estar fora do mundo. Há outros países com línguas estranhas mas aqui  o inglês é tão pouco usado que a gente se sente mesmo analfabeto.

Acaba-se de comer e já não é mais possível lembrar o nome do prato. Acaba-se de sair de um restaurante e sequer se sabe mais seu nome. 

A comunicação com os locais não é fácil. Nem todos falam inglês e nossas pronúncias deturpadas dificultam ainda mais o entendimento, deixando as mímicas como recurso final.  Criam situações muito engraçadas que agregam mais novidades ao novo de qualquer viagem.

E as crianças? São da gente não se cansar de olhar para elas. Fofíssimas e todas estilosas desde o início 🥰. Não se jogam no chão, quando fazem birra. Sentam-se num restaurante e comem sozinhos, sem fazer sujeira em volta e sem implicar com a comida. Quando meu neto que ainda vai nascer, fizer 2 anos, vou trazê-lo para um treinamento aqui 😉

O fuso horário também é fator de grande estranhamento. Doze horas de diferença nos deixam num estado de confusão tal, no início da estadia, que fica difícil saber em que dia da semana estamos 😊

O trânsito com mão inglesa também nos confunde. Nós pedestres também somos afetados com a inversão. Esqueço de ficar no lado esquerdo das escadas, ao contrário do nosso costume de ocupar o lado direito.

No metrô as pessoas ou dormem ou  estão no celular ( o iPhone é campeão de uso. Os japoneses evitam comprar produtos coreanos, ouvi dizer). Vi uma pessoa digitando e me deu um nó na cuca: nada trivial “arrancar” do teclado os símbolos do japonês. 

Claro que estas impressões são muito influenciadas pelo fato de ser primavera. E bate logo a vontade de ver a cidade nas outras estações.

Sei que há bizarrices nas pessoas e nos costumes mas os turistas, preferimos ter olhos para o bom e bonito. Lemos coisas desconcertantes sobre a cultura japonesa, nem tudo é paraíso. O país é ótimo para o turista, especialmente para nós do “Burasiu” ( Brasil. A lingua deles é dura e não permite pronunciar encontros consonantais com “r”, nem a letra “L”que vira “R”.) Mas viver como imigrante é outra hitória. O país foi fechado para o mundo, durante séculos, pode estar entranhado no seu dna algo de xenofobia.

Voltando a Shinjuku. O bairro tem a cara daquela Tokyo moderna e vibrante que vemos nas fotos por aí. Na foto da esquerda, a arquitetura envidraçada que virou febre. À direita, a profusão de outdoors, com overdose de colorido que durante a noite aumenta com o neón. Lá no cantinho, o gorila mesmo que faz parar até quem não tem interesse pelo Godzila.

Tem várias sub regiões e escolhemos ficar na área de Nishishinjuku, pela proximidade da estação. À esquerda, o “viaduto” verde, onipresente nas fotos e videos sobre o bairro. Um registro de lua cheia, cedo e num fim de tarde bem claro.

Fomos passear em Kamimeguro/Nakameguro. Uma confusão sobre quem é quem é usual. Como a Estação de Nakameguro fica em Kamimeguro, é comum chamar de Nakameguro a área que abrange os dois e também Aobadai e Higashiyama. Atrai muitos turistas por ser uma região preferida pelos hipsters, com muitas lojas descoladas e restaurantes e cafés de qualidade. O rio Meguro passa pelo bairro e, no canal, foram plantadas muitas cerejeiras que fazem um lindo cenário na época da floração. Uma tarde foi pouco, por lá.

Aqui vi japoneses que curtem cachorros e lojas iguais às do Brasil. Macacão e camiseta iguais para o pet e seu dono. Cadelinha de óculos escuros. Vi também um dos poucos cachorros que encontramos na viagem.

Seguimos caminhando e demos, por acaso, com Sarugakucho. Um bairro residencial mas também com um comércio sofisticado e moderno. Tem espaços com jardins, livrarias e cafés. Perfeito para passear numa tarde de sábado.

Seguimos e achamos Daikan-yamacho, o Brooklyn de Tokyo. Infelizmente, foi uma passada só. Ja escurecia e voltamos para o hotel. Outro lugar para voltar.

As bancas de revista, em Shinjuku, chamam atenção

A tarde e as luzes de Shijuku

Kabukicho, o distrito da luz vermelha. Uma área com 100 quarteirões de bares, casas noturnas e prostíbulos, apesar da prostituição ser ilegal no país. Em passado recente, era uma área considerada perigosa por causa da presença da Yakuza, a famosa máfia japonesa. Hoje, pode-se caminhar pelas ruas, ruelas estreitas de 5m de largura, espreitar os bares que funcionam em casas muito pequenas de 2 andares, estreitíssimas com largura de pouco mais de 2 metros, onde antes eram lugares destinados à prostituição. Só se pode fazer fotos com a permissão dos donos dos locais. Um passeio interessante. Nos bares só cabem de 5 a 7 pessoas.

Sobreviventes da especulação imobiliária e da modernização de Tóquio, são uma média de 60 bares. A penumbra interior, a falta de espaço e um quê de proibido, ajudam a imaginar o clima de décadas atrás.

Os avisos de proibição de grafitis e outras transgressões. E uma supervisão policial pois nem o Japão escapa de arruaceiros. 😐

Não visitei, por falta de tempo mas quem foi diz que vale a pena, sendo gay ou não. O Golden Gai área de bares e clubes que atrai famosos do mundo inteiro. Coppola, Tarantino e Tim Burton, passaram por lá. Alguns bares só permitem a entrada de japoneses ou de quem fala a língua. Também não fui ao Shinjuku Ni-chome, o distrito gay mais conhecido de Tóquio. Nem ao imenso parque Shinjuku Goyen, com jardins japoneses, franceses e ingleses.

Dia de ver Shinjuku do alto do prédio do governo metropolitano de Tokyo.

E ao descer, a outra vista da “prefeitura” e passeio no parque Naitomachi.

Hora de despedida de Shinjuku e de voltar para o Rio de Janeiro.

Vou voltar 🙂

17 – Curiosidades japonesas

As garagens para bicicletas, na estação de Tokyo, são totalmente automatizadas. Basta deixar na porta de um elevador e pronto, o resto está feito. Na volta, é só passar um cartão e sua bicleta aparece outra vez, na porta onde foi deixada.

O iogurte não gruda na tampa. Fim da lambida. Uma pena 🥺

Cadeirinha para a mamãe deixar seu bebê enquanto usa a privada

Cesta para guardar pertences. Nada de bolsa ou mochila pendurada no encosto da cadeira, para ser derrubada pelos passantes.

Mictório e pia da altura dos pequenos

Corrimão democrático: para baixinhos e altinhos

Tela de contenção para pedrinhas

Máquina de troco nos ônibus. Guardas chuvas para serem emprestados.

Bancos giratórios, no trem.

Curativo para árvores

Cerca pantográfica para jardins com menos de 2m de largura

Tampa de bueiro com “bússola”.

Sachê com café em pó, para doses individuais. Em 2019, chegou em uma loja em São Paulo

Banheiros para não-ocidentais

Um paradoxo: lugar para deixar guarda chuva com cadeado, na entrada de alguns museus. Em oposição, pode-se pegar guarda chuva emprestado nos ônibus e hotéis e deixá-los em locais distintos.

Os motoristas de ônibus tem uniforme padrão e imaculado. Com a chegada da primavera, o colete substitui o blazer. Eu daria tudo para saber como fazem para ter este branco-omo-total na camisa e luvas. Branco ofuscante.

Carros de cores que não tem no Brasil: azul, rosa. Gostei do formato “pão-de-forma”.

Reapriveitamento da água servida.

Tão higiênicos para umas coisas e para outras, não. Estranhei o costume de não usar papel sobre a bandeja. O pãozinho fica ali, sobre sujeirinhas de uso anterior.

Geladeira com portas para cada gaveta.

Maquinas de venda de produtos de conveniência estão a cada esquina. Algumas vendem até absorventes femininos.

18 – Comes e bebes japoneses

Foto 1 e 2 –  OKONOMIYAKI, um prato originalmente de Hiroshima, feito com várias camadas de repolho, porco, carne, camarão, polvo e com um molho delicioso por cima. O restaurante tem mesas com chapa aquecida para o preparo  da iguaria. O lugar tinha uma decoração bem interessante e frequência, idem.

Foto 3 – Camarão grandão, empanado, para comer mergulhando num caldinho ótimo.

Foto 4 – Yakitori, equivalente ao nosso churrasquinho, só que lá fazem de tudo, desde pele de frango até bochecha de porco.

Foto 5 – Balinha de yakult. para comer às centenas.

Sanduíche de camarão, bolo de milho com gosto da nossa pamonha, rocambole com massa ou recheio de matcha.

Mini polvo caramelado, sanduíche de biscoito amanteigado com recheio de creme, caixinhas de balas, que mais parecem porta-jóias, de sabores os mais variados.

Açaí, a cerveja 😉, crackers de sementes e grãos, docinhos confeitados no capricho.

Uns espetinhos de uma massa doce, cujo nome não posso me lembrar; chá verde preparado by the book com gelatina de feijão e marcha; matcha Latte, bolo de chá verde e chantilly polvilhado com matcha.

Biscoitinhos super pequeninos, carimbados um a um; e os sorvetes de matcha e creme.

O que havia dentro desta embalagem de palha estava muito bom mas foi impossível decifrar do que se tratava. Não houve mímica que desse jeito. Suco de côco seco delicioso. E soja fermentada, tão intragável que sempre nos avisavam que não iríamos gostar. O quiabo que acompanhava estava bom.

Fruta no Japão é tão cara que é costume presentear pessoas que estão no hospital com baixa probabilidade de sair com vida. Tipo assim: última refeição. Se ganhar estes morangos invertidos, então, o caso é muito sério 😮

KitKat de saquê, sorvete folheado a ouro, tartalete de chocolate com cobertura de gelatina com pó de ouro.

Os japoneses adoram seguir e fazer seguir processos. Onde se vai tem cartazes e figuras, explicando detalhadamente, o que deve ser feito. O restaurantes também fazem uso deste recurso. Prato típico de Kanazawa, servido no Mercado Omicho. Ai de você se não seguir as instruções.

Biscoitinhos de canela e gergelim, em forma de telha, fabricados desde 1689, como consta na embalagem. E sushi de carne de cavalo.

Caqui e tomate cereja secos. Sorvete de gergelim preto.

Ovas de bacalhau. Polvo baby recheado com gema de ovo tipo codorna. Intestino de enguias. Argh 😣

Pardais fritos. Fondue de matcha ( aqui tem matcha em tudo!!). Super patas de caranguejo, sonho de consumo de todo paraibano criado no litoral.

Leite de côco com farinha de tapioca, bem geladinho. Delícia. Café com leite e farinha de tapioca, também gelado, cai super bem. O bar traz outras referências mas não atrapalha, diverte. 😊

Caranguejo de tamanho gigante e preço idem. Um prato só de ovas de peixes.

Aqui a conta nunca vem à mesa, nos restaurantes. O cliente recebe um papel com o valor e, no final, vai ao caixa que sempre fica na entrada, para pagar. Os restaurantes de mais movimento e mais simples, tem uma máquina na entrada, com o cardápio numa tela. A gente escolhe o que quer, paga e entrega o recibo a quem for servir. Neste restaurante, recebe-se um chaveirinho para ser levado ao caixa, com o número da conta.

Outro bom costume é o de servir água de graça. Não é educado levar sua própria garrafa de água mineral e deixá-la na mesa. Pode parecer ofensivo desconfiar da qualidade da água japonesa. Chá também não é cobrado.

19 – Pessoas do Japão

As pessoas aqui retratadas contam com meu respeito e gratidão por terem me dado a oportunidade de entender um pouco sobre seu cotidiano. Não há uso comercial das fotos. Elas farão mais sentido se os demais posts sobre minha viagem ao Japão tiverem sido lidos.

Li que nem todos usam máscaras cirúrgicas por motivo de saúde. As mulheres usam quando não houve tempo para fazer a maquiagem. Os jovens porque acham que compõem o visual dando um ar de quebra das regras. Outras tantas pessoas usam, simplesmente, por achar bonito.

Os poucos gatos e cachorros que vi no Japão foi sempre em cidades pequenas. Nas grandes, não se vê tanta gente nas ruas com seus cachorros, como no Rio de Janeiro, por exemplo.

Na primavera, muita gente sai vestido de gueixa, samurai.

Esta senhora fabrica e vende tamancos. A conversa com ela foi mediada pelo Google tradutor e pela calculadora, para que eu descobrisse sua idade.

Os oficiais que seguem os processos de orientação de chegada e partida de trens, haja ou não passageiro na plataforma, são ótimos de ser ver. A senhora abaixo, mudou de rota quando viu um papel, possivelmente um recibo de cartão de crédito, para recolhê-lo ( abaixou-se com um certa dificuldade) e guardá-lo na bolsa. Fiquei pasma.

Os candidatos. Até lá tem cara de quem pode não cumprir o que promete. 😉

A vendedora que desenha e costura a própria roupa. Há muitas pessoas que seguem este comportamento.

Os uniformes dos estudantes tem um jeito de roupa de marinheiro e estão sempre impecáveis. Eles parecem ter orgulho de vestí-los. No Brasil, os alunos evitam uniformes como se não valorizassem o fato de ser estudante. A menina do meio da foto 2, pisa pra dentro como é comum ver.

Criança fazer birra e berrar aqui é coisa rara. As mães começam um papo, em voz baixa, e só param quando o choro some. Fiz umas caretas de zarolha para esta pequena e foi mais eficiente que o sermão da mãe. Parou logo para ver que maluquice era aquela 😄


Achei interessante que esse tipo de bolsa preferido pelas mulheres, no Brasil, tenha caído nas graças dos rapazes por aqui. Como são estilosos estes meninos do Japão!

Vi uma senhora, sentada num banquinho, arrancando os matinhos do pátio da entrada da casa dela e de outras. Fiquei pensando como este povo sabe fazer render seu tempo. A gente, aposentado ou não, não tem tempo para nada. Fiquei encantada com o capricho: broche de libélula e cestinha de coração.

Entrei no banheiro de onde tinha saído esta senhora de idade já lá pelos 80. Ao ver que era do tipo oriental, sem barras de apoio, fiquei admirada. Além de vaidosa, o retoque do baton foi feito com capricho, ela tem pernas fortes. Eu não arriscaria a usar este tipo de privada. As japonesas viram centenárias, sentando no chão e levantando como se fossem jovens. Admirável.

Adorei o jeitinho de pisar para dentro que a japonesas tem. Esta dupla de mãe e filha ganhou meu troféu de charme da pisada. 🥰

20 – Ah, os sapatos japoneses

Achei muito curioso o jeito de pisar e andar com os pés “pra dentro”, dos japoneses. Ouvi dizer que as mulheres fazem isto por considerar charmoso. Minha teoria ( adoro inventar teorias) é que o fato de sentarem, no chão, sobre as pernas e com os pé para dentro ( veja minha foto ), forma o hábito. Qualquer que seja a justificativa, fica curioso.

Achei prática a numeração dos sapatos. Adotam 3 tamanhos: L, LL e XLL. A pronúncia é “ere”, ‘erueru” e por ai vai. Há preferência por calçados folgados. Acho que, como tiram os sapatos com frequência, facilita para descalçar e voltar a calçar.

As roupas adotam frequentemente o padrão “one size fits all”. Gostei. Tenho preguiça de experimentar roupas e o tamanho sendo único, facilita bem.

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